Na parte superior desse belo documento médico medieval, três pacientes em repouso, deitados; abaixo, duas figuras de pé. Cinco estão despidos, um semi-vestido e outro (abaixo), vestido. Esses sete homens estão marcados com pontos vermelhos, indicando o processo de cauterização ou sangria com sanguessugas. Na Inglaterra o médico era um “sanguessuga”. Os textos ao lado de cada paciente dizem a causa: de cima para baixo, elefantíase, asma, febre terçã e dor de dente. Repare que o que está vestido tem os pontos de cauterização nas orelhas.
10 de maio de 2009
FEIRA MEDIEVAL: BOTICÁRIO
Na parte superior desse belo documento médico medieval, três pacientes em repouso, deitados; abaixo, duas figuras de pé. Cinco estão despidos, um semi-vestido e outro (abaixo), vestido. Esses sete homens estão marcados com pontos vermelhos, indicando o processo de cauterização ou sangria com sanguessugas. Na Inglaterra o médico era um “sanguessuga”. Os textos ao lado de cada paciente dizem a causa: de cima para baixo, elefantíase, asma, febre terçã e dor de dente. Repare que o que está vestido tem os pontos de cauterização nas orelhas.
FEIRA MEDIEVAL: AÇOUGUEIRO
4 de maio de 2009
FEIRA MEDIEVAL: BOBO
1 de maio de 2009
RECURSOS NA NET
BIBLIOTECA UNIVERSAL
TEXTO EDITORES
PORTO EDITORA
Sítios de carácter geral sobre os conteúdos que irás estudar no 7º ano:
Egypcian Museum
IPPAR – Instituto português do Património Arquitectónico
Musée du Louvre
Museu Monográfico de Conímbriga
The British Museum
Vidas lusófonas
Portugal – Colecção XXI Instituto dos Museus e da Conservação
Canal de História
• DAS SOCIEDADES RECOLECTORAS ÀS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES
• FORMAÇÃO DA CRISTANDADE OCIDENTAL E A EXPANSÃO ISLÂMICA
A Europa do século VI ao século IX
A sociedade europeia nos séculos IX a XII
• Islão
• História de Portugal: Reconquista Cristã ; Formação de Portugal…
• PORTUGAL NO CONTEXTO EUROPEU DOS SÉCULOS XII A XIV
• Peste negra• Crise de 1383-1385
28 de abril de 2009
BIOGRAFIA: NUNO ÁLVARES PEREIRA
Nuno Álvares Pereira é um dos cavaleiros portugueses mais conhecidos da nossa história, não só pela sua bravura, mas por toda a história da sua vida.
Filho de uma família fidalga, Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Julho de 1360 e tinha pouco mais de 20 anos quando se deram as suas grandes aventuras contra os exércitos castelhanos.
Com apenas 13 anos entrou para a corte do rei D. Fernando, sendo então escolhido para ser escudeiro da rainha D. Leonor Teles ao mesmo tempo que aprendia tudo sobre a guerra e as armas com um tio. Pouco tempos depois foi logo armado cavaleiro.
Sabias que se casou com apenas 16 anos? Pois é, nesse tempo era mesmo assim! Casou-se por conveniência dos pais em 1376, com D. Leonor de Alvim. Também esta situação era muito comum na época.
Durante a crise de 1383, provocada pela morte de D. Fernando, colocou-se ao lado do Mestre de Avis, que parecia mais preocupado em defender os interesses de Portugal do que D. Leonor Teles, a regente do reino.
D. João, Mestre de Avis, chamou-o para o conselho do governo e mais tarde, durante as cortes de Coimbra, nomeou-o Condestável do Reino, um cargo criado pelo rei D. Fernando.
Entre 1383 e 1385 liderou o exército português a várias vitórias, sendo as mais conhecidas as da Batalha de Aljubarrota e da Batalha dos Atoleiros, onde usou a técnica do quadrado.
Esta técnica baseou-se numa estratégia militar usada por Alexandre Magno em exércitos maiores, e que Nuno Álvares Pereira tinha descoberto há pouco tempo num livro. Decidiu adaptá-la e resultou!
Tornou-se rico e poderoso, mas soube dividir com os seus companheiros de armas grande parte das terras que lhe foram doadas. No fim da vida, teve o cuidado de repartir também pelos netos os seus domínios e títulos.
Sabias que a sua vida de soldado não acabou com a crise de 1383/85?Ainda participou na conquista de Ceuta, em 1415, onde mostrou novamente o seu grande valor.
Nunca perdeu uma batalha que fosse liderada por si. Conta-se que a sua espada, que tinha o nome de Maria gravado, lhe dava a devida protecção.
Nuno Álvares Pereira acabou a sua vida ligado à Igreja.Depois de se tornar viúvo entrou para o Mosteiro do Carmo em 1423, por ele fundado, mudando o nome para frade Nuno de Santa Maria. Por ter dedicado os seus últimos dias à Igreja e a ajudar os mais pobres, depois da sua morte, em 1431, o povo começou a chamá-lo de Santo Condestável.Este título nunca foi verdadeiro, mas ficou perto com a sua beatificação em 1918.
Uma das filhas de Nuno Álvares Pereira casou com D. Afonso, um dos filhos de D. João I, dando início à Casa de Bragança, uma família que reinou em Portugal e da qual é descendente D. Duarte de Bragança.
D.3. : Crises e revolução no século XIV
Causas:
- Crise económica: medidas para solucionar: Leis dos Trabalho de D.Afonso IV e Leis das Sesmarias de D. Fernando.
-Crise social: revoltas populares
-Crise política: morte de D. Fernando com uma única filha, D. Beatriz, que era casada com D. João I de Castela pelo acordo do "Tratado de Salvaterra de Magos", segundo o qual, caso D. Fernando não tivesse um filho varão, quem lhe sucederia no trono seria D. Beatriz.
D. Fernando morreu em 1383, a sua esposa, D. Leonor Teles, sucedeu-lhe como regente e mandou aclamar D. Beatriz como rainha.
Contudo, a população portuguesa não aceitou esta aclamação sentindo que a independência do Reino estava ameaçada.
Foi então organizada uma conspiração, chefiada por alguns nobres e burgueses, para derrubar o poder de D. Leonor Teles. Esta conspiração foi chefiada por D. João, Mestre de Avis.
D. Leonor fugiu para Castela. O Mestre foi aclamado "Regedor e Defensor do Reino". Iniciou-se um longo período de guerra entre Portugal e Castela.
O exército português comandado pelo condestável Nuno Álvares Pereira, obteve uma vitória nos Atoleiros e a cidade de Lisboa estava cercada pelo rei castelhano do qual levantou o cerco.
O Mestre de Avis foi aclamado rei, nas Cortes de Coimbra de 1385, com o título de D. João I, iniciando a dinastia de Avis.
O rei de Castela volta a invadir Portugal sendo derrotado na batalha de Aljubarrota e apaz só foi assinada em 1411.
D.3. : Crises e revolução no século XIV
Causas:
- O aumento da população foi maior do que o aumento da capacidade de produção, logo, havia menos alimentos.
- Uma sucessão de maus anos agrícolas entre os finais do século XIII e os inícios do XIV deu origem a fomes por toda a Europa.
- A propagação de pestes (facilitada pelas más condições de higiene e porque os corpos estavam debilitados pela fome); a mais grave a Peste Negra,que matou cerca de um terço da população europeia.
-A ocorrência de diversas guerras que provocaram muitas mortes e empobreciam os Estados: a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre a Inglaterra e a França, as Guerras Fernandinas e a Guerra da Independência, entre Portugal e Espanha, são alguns dos muitos conflitos que afectaram a Europa.
No século XIV houve uma forte quebra demográfica devido a um aumento da taxa de mortalidade.
A economia foi então afectada pela falta de mão-de-obra e a carência de cereais.
Isto provocou uma rápida subida de preços. Esta inflação fez com que a moeda perdesse valor, havendo assim uma desvalorização monetária.
A quebra demográfica e a crise económica provocam tensões e agitação social nas cidades e nos campos.
Baixaram os salários dos camponeses e aumentaram os impostos e tributos.
Muitos camponeses abandonaram os campos e fugiram para as cidades.
As revoltas rurais eram movimentos de camponeses que atacavam as casas senhoriais e perseguiam os nobres. Estas eram reprimidas, com grande violência, pelos senhores feudais.
As revoltas urbanas eram organizadas por aprendizes e artífices contra as famílias de ricos mercadores que dominavam o comércio e governavam as cidades.No século XIV deu-se uma crise religiosa. Entre 1378 e 1417, a Igreja Católica esteve dividida pelo Grande Cisma do Ocidente. A cristandade passou a ter dois papas, um em Roma e outro em Avinhão (França). Desenvolveram-se nesta época muitas heresias.
A conjugação das muitas calamidades que se viveram no século XIV conduziu a uma situação de insegurança: o medo; a descrença na vida e a ideia da morte marcavam o quotidiano.
Vivia-se numa atmosfera de medos e de ódios que deu origem a uma crise colectiva de mentalidades.
D.3. : Crises e revolução no século XIV
Alguns monarcas, como os reis portugueses D. Afonso IV e D. Fernando, tomaram medidas para tentarem solucionar a crise, mas não conseguiram. A situação agravou-se dando origem a revoltas nos campos e nas cidades.
Em Portugal, a estas calamidades juntou-se ainda uma crise política que pôs em risco a independência nacional- a crise e a Revolução de 1383-85
23 de abril de 2009
SÃO BENTO DE NÚRSIA
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| São Bento de Núrsia |
São Bento era conhecido pela sua grande simpatia, carinho e por uma grande capacidade de sacrifício e dedicação à sua comunidade. A Regra de São Bento, escrita em latim vulgar, tem como fontes a Sagrada Escritura, os santos Pacómio, Basílio, Leão Magno, Jerónimo e Agostinho, entre outros. Foi redigida para os cenobitas e é actualmente seguida por Beneditinos, Cistercienses, Camáldulos e outros, tendo sido traduzida em Portugal pela primeira vez em Alcobaça, no século IV. Segundo alguns estudiosos, a Regra de S. Bento foi escrita para leigos, para que estes observassem uma vida o mais próxima possível do Evangelho, e não para clérigos, já que a intenção de S. Bento não era constituir uma ordem ou uma regra para clérigos. Com a imposição por parte da Igreja do estado de clericanismo aos Beneditinos, foi levada a cabo a consequente imposição dos deveres clérigos e sacerdotais. No entanto, as características de leigos permaneceram e distinguem a ordem das restantes. Uma das características da ordem é o trabalho como meio de se atingir o bem e chegar a Deus, a outra é o carácter social da ordem e do seu sentido de comunidade vivendo para o bem dos outros. Seguindo um ideal de pobreza, este é muito diferente do ideal de pobreza defendido por São Francisco de Assis, já que admite alguns poucos bens pessoais e bens da comunidade que podem ser muitos mas devem sempre ser utilizados para benefício do próximo.
Como referenciar este artigo:
São Bento de Núrsia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].
PESTE NEGRA
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| Ilustração de um Médico de Peste em 1656 |
Como referenciar este artigo:
Peste Negra na Europa Ocidental. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].
CISMA DO OCIDENTE
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| Habemus Papam noConcílio de Constança. |
De 1308 a 1378 os papas deixaram Roma para se fixarem em Avinhão (Sul de França), inaugurando um período designado por "Cativeiro de Avinhão". Nesta altura, a autoridade e o prestígio dos papas tinha decaído na Europa e, ao contrário dos séculos anteriores, não tinham autoridade para intervir nos assuntos da política internacional e, a nível interno de cada um dos reinos, essa ingerência era cada vez mais limitada.
Após a morte de Gregório XI, o conclave formado por 16 cardeais foi pressionado pelo povo que exigia um papa romano ou italiano. Foi eleito o arcebispo de Bari que tomou o nome de Urbano VI. Apesar dos tumultos aquando da eleição, nada fazia prever o cisma. A 9 de Agosto de 1378 os cardeais assinaram um documento declarando a eleição nula e a 20 de Setembro elegeram o cardeal de Genebra que tomou o nome de Clemente VII. Ambos os papas se declararam legítimos e excomungaram-se mutuamente. Consumou-se assim o cisma - Urbano VI ficou em Roma e Clemente VII instalou-se em Avinhão. A Urbano VI sucederam Bonifácio IX (1389-1404), Inocêncio VII (1404-1406) e Gregório XII (1406-1415). A Clemente VII sucedeu Bento XIII (1406-1423). O mundo católico dividiu-se entre apoiantes de Urbano VI e apoiantes de Clemente VII, de acordo com as alianças políticas ditadas pela Guerra dos Cem Anos. Clemente VII foi apoiado pelos reinos da França, Nápoles e mais tarde por Castela, Aragão, Lorena e Escócia. O imperador da Alemanha, o rei da Inglaterra e o conde da Flandres apoiaram Urbano VI.
Foram tentados vários processos para terminar com o cisma que ninguém queria. Um dos processos foi o Concílio de Pisa. Este concílio depôs ambos os papas e elegeu Alexandre V (1409-1410) a quem sucedeu João XXIII (1410-1415). A deposição não foi, no entanto, aceite e a partir desta altura coexistiram três papas. Em 1415, pelo Concílio de Constança, foi finalmente restabelecida a unidade religiosa. João XXIII foi deposto e aceitou humildemente a decisão, Gregório XII abdicou voluntariamente e Bento XIII foi excomungado. Em 1417 foi eleito Martinho V que toda a Igreja reconheceu como sendo o papa legítimo. O sucessor de Bento XIII, Clemente VIII, renunciou e terminou assim definitivamente com o cisma.
Portugal apoiou o papa que mais convinha às suas alianças políticas. Manteve uma posição neutral até 1380, e em Janeiro deste ano D. Fernando anunciou, em Évora, a sua adesão a Avinhão. A renovação da aliança portuguesa com Inglaterra levou a que em 1381 D. Fernando declarasse que reconhecia Urbano VI como sendo o papa legítimo. Após a morte de D. Fernando e com a crise de nacionalidade que se lhe seguiu, Portugal manteve-se fiel a Urbano VI, acusando os castelhanos de serem hereges e cismáticos por apoiarem Avinhão. A fidelidade portuguesa a Roma manteve-se até ao Concílio de Pisa, altura em que D. João I, acompanhando a posição da maioria dos países católicos, reconheceu o papa saído deste concílio.
Como referenciar este artigo:
Cisma do Ocidente. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].
GUERRA dos CEM ANOS
Conflito que, entre 1337 e 1453, entrecortado por períodos de paz, opôs Inglaterra e França.
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| Guerra dos Cem Anos |
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| Guerra dos Cem Anos |
Joana d'Arc vence os ingleses em Orleães, Patay e outros lugares e o rei Carlos VII é sagrado em Reims.
O fim da guerra é marcado pela batalha de Castillon em 1453; apenas Calais permanece em poder dos ingleses. Nenhum tratado foi assinado de forma a assinalar o fim das hostilidades; a Inglaterra entra num período de guerra civil (Guerra das Duas Rosas) ao passo que em França a monarquia sai reforçada pelo sentimento nacionalista e caminha progressivamente para o absolutismo monárquico.
Poderá, enfim, dizer-se que a Guerra dos Cem Anos marca o final da Idade Média e anuncia a Época Moderna.
Como referenciar este artigo:
Guerra dos Cem Anos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].
20 de abril de 2009
C:3: A sociedade europeia nos séculos IX a XII.
A Sociedade Medieval era uma sociedade TRIPARTIDA (três ordens, TRIFUNCIONAL e HIERARQUIZADA (uns mais importantes que os outros).
A Sociedade Medieval era composta por 3 ordens sociais:
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| A SOCIEDADE SENHORIAL |
2-NOBREZA
3-POVO
Esta divisão era feita em função de critérios como o nascimento (a linhagem), o poder económico , a posse de propriedades e o desempenho de determinadas funções na sociedade.
(TRIFUNCIONAL):Cada ordem cumpria uma função na sociedade:
-CLERO: rezava e protegia espiritualmente a população; dedicava-se ao ensino e à assistência a pobres e doentes.
- NOBREZA: combatia e protegia fisicamente a população.
- POVO: trabalhava e pagava impostos sustendo os restantes grupos sociais .
A Sociedade Medieval era uma sociedade hierarquizada , isto porque as pessoas estavam ordenadas de acordo com a sua importância social.
O CLERO e a NOBREZA eram PRIVILEGIADOS porque não pagavam impostos, recebiam rendas e tributos e administravam a justiça nos seus territórios, tendo leis e tribunais próprios.
O POVO era NÃO-PRIVILEGIADO e ainda se dividia em COLONOS OU VILÂOS (homens livres que trabalhavam uma terra arrendada ao senhor) ou SERVOS (camponeses não livres que pertenciam ao senhor ou à propriedade)
Sociedade feudal
A sociedade feudal era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada.
A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses.
O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade.
Era isento de impostos e arrecadava o dízimo.
A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos.
Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corveia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidade (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).
5 de abril de 2009
CURIOSIDADES DA IDADE MÉDIA
Naquele tempo, a maioria das pessoas casavam-se no mês de Junho (início do Verão), porque, como tomavam o primeiro banho do ano em Maio, em Junho, o cheiro ainda estava mais ou menos...
Entretanto, como já começavam a exalar alguns "odores", as noivas tinham o costume de carregar bouquets de flores junto ao corpo, para disfarçar.
Daí temos em Maio o "mês das noivas" e a origem do bouquet.
Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente.
O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa.
Depois, sem trocar a água (reparem que lindo!), vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças.
Os bebés eram os últimos a tomar banho, portanto! Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível perder um bebe lá dentro.
É por isso que existe a expressão em inglês "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente "não deite fora o bebé juntamente com a água do banho", que hoje usamos para os mais apressadinhos...
Os telhados das casas não tinham forro e as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais se aquecerem - cães, gatos e outros animais de pequeno porte, como ratos e besouros.
Quando chovia, começavam as goteiras, os animais pulavam para o chão.
Assim, a nossa expressão "está a chover a cântaros" tem o seu equivalente inglês em "it's raining cats and dogs".Para não sujar as camas, inventaram uma espécie de cobertura, que se transformou no dossel.
Aqueles que tinham dinheiro, possuíam "loiça" de estanho.
Certos tipos de alimentos como o tomate, oxidavam o material, o que fazia com que muita gente morresse envenenada - lembrem-se que os hábitos higiénicos da época não eram lá grande coisa... .
Daí que durante muito tempo o tomate foi considerado como venenoso.
Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação, por vezes, deixava o indivíduo "K.O."(numa espécie de narcolepsia induzida pela bebida alcoólica e pelo óxido de estanho). Quem passasse pela rua pensava que o fulano estava morto, recolhia o corpo e preparava o enterro. (mais nada!)
O "defunto" era então colocado sobre a mesa da cozinha (que linda ideia, não?!) por alguns dias (DIAS?!) e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo (na boa vida é o que é!) e esperando para ver se o morto acordava ou não.
Daí surgiu a vigília do caixão ou velório, que em inglês se diz “wake”, de "acordar".
A Inglaterra é um país pequeno, e nunca houve espaço suficiente para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos retirados e encaminhados ao ossário e, o túmulo era utilizado para outro infeliz (reciclagem!!).
Por vezes, ao abrir os caixões, percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo.
Assim, surgiu a ideia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava presa a um sino.
Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias.
Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar.
Assim, ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", como usamos hoje.
30 de março de 2009
TAREFAS PARA AS FÉRIAS DA PÁSCOA
(fazer no Blogue)
7º A e B
HISTÓRIA
-ARTE ROMÂNICA (texto e imagens)
-ARTE GÓTICA (texto e imagens)
-IDADE MÉDIA (texto e imagens)
-GLOSSÁRIO (tema C e D do manual) (texto e imagens)
7ºA
ÁREA DE PROJECTO
-DIAS MUNDIAIS ( DIA da PÁSCOA, DIA 1º MAIO,DIA do 25 de ABRIL etc) (texto e imagens)
-MODALIDADES (texto e imagens)
-SANTO DA TERRA ONDE HABITA (texto e imagens)
-HISTÓRIA DA TERRA ONDE HABITA (texto e imagens)
7ºA
FORMAÇÃO CÍVICA
-DROGAS (ALCOOL e TABACO) (texto e imagens)
-SIDA (Descrição da doença; Formas de contágio; Efeitos)(texto e imagens)
O Professor: João Nunes
Boas Férias e Bom Trabalho.
23 de março de 2009
D. JOÃO I
D. João I
D. João I |
Filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega. O mestrado da Ordem de Avis foi-lhe destinado desde a sua infância e é nesse sentido que decorre a sua educação, a cargo do comendador-mor da Ordem.
Em 1383, já na situação de um dos mais ricos senhores de Portugal, jura, com muitas outras figuras importantes do reino, cumprir cláusulas do contrato de matrimónio da infanta D. Beatriz com D. João I de Castela. Nesse mesmo ano, é um dos escolhidos para acompanhar a infanta a Badajoz, onde foi entregue ao marido. O facto de ter sangue real e de ser olhado como chefe provável do partido adverso à parceria Leonor Teles-conde de Andeiro, deve ter contribuído para a sua prisão ordenada por D. Fernando. Mais tarde é libertado por ordem do rei e a esse facto não deve ter sido estranha a intervenção pessoal do conde de Cambridge, chefe do contingente inglês em Portugal.
Depois da morte do rei, entra-se no período da guerra civil e da guerra com Castela e D. João, aclamado regedor e defensor do reino, procura consolidar a sua posição no meio de hesitações e compromissos. E aclamado rei em 1385, vence a guerra com Castela e obtém tréguas em 1389. Volta-se então para os problemas internos do reino e impõe a sua autoridade à nova nobreza, que chefiada por D. Nuno Álvares Pereira, lhe desfalca os bens da coroa. Em 1396, novamente guerra com Castela até 1398.
Segue-se um longo período de paz interna e externa, só cortado pela aventura de Ceuta. Fora dos actos da administração pública, quase nada sabemos da vida do monarca. Casou em 1387 com D. Filipa, filha do duque de Lencastre e ano e meio depois nasce D. Branca, que não chegou a viver um ano; segue-se o herdeiro do trono Afonso, que morre por volta dos dez anos; vêm a seguir em rápida sucessão os infantes da «ínclita geração».
Morreu em 1433. Pessoalmente, foi-nos legado o retrato de um homem prudente, astuto, cioso do poder e da autoridade, ao mesmo tempo, terno, humano e benevolente. Foi sem dúvida o mais culto dos nossos monarcas medievais, reflexo da educação que o preparara para dirigir superiormente uma importante ordem religioso-militar.
Ficha genealógica:
D. João I, nasceu provavelmente em Lisboa, a 14 de Agosto de 1357, tendo morrido na mesma cidade, em igual dia de 1433). Casou no Porto, a 2 de Fevereiro de 1387, com D. Filipa de Lencastre (n. em Inglaterra, 1359; f. em Odivelas, a 19 de Julho de 1415), filha de João de Gant, duque de Lencastre, e de sua primeira mulher, D. Branca. Tiveram os seguintes filhos:
1. D. Branca (n. em Santarém, a 30 de Julho de 1388; f. em Março de 1389; enterrada na capela-mor da sé de Lisboa);
2. D. Afonso (n. em Santarém, a 30 de Julho de 1390; f. a 22 de Dezembro de 1400; sepultado na sé de Braga);
3. D. Duarte, que herdou a coroa;
4. D. Pedro (n. em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1392; f. na Batalha de Alfarrobeira, a 20 de Maio de 1449; sepultado no Mosteiro da Batalha). Casou a 13 de Setembro de 1429 com D. Isabel de Urgel (n. por 1410; f. em data posterior a 1470; sepultada no Mosteiro da Batalha), filha de D. Jaime II, conde de Urgel, e de D. Isabel, infanta de Aragão. Foi regente do Reino de 1438 a 1446;
5. D. Henrique (n. no Porto, a 4 de Dezembro de 1394; f. na vila do Infante, em Sagres, a 13 de Novembro de 1460; sepultado no Mosteiro da Batalha);
6. D. Isabel (n. em Évora, a 11 de Fevereiro de 1397; casou com Filipe, o Bom, duque da Borgonha, a 7 de Janeiro de 1430, em Écluse; f. em Dijon, a 11 de Dezembro de 1471; sepultada no Convento da Cartuxa da mesma cidade);
7. D. João (n. em Santarém, a 13 de Janeiro de 1400; f. em Alcácer do Sal, a 18 de Outubro de 1442; sepultado no Mosteiro da Batalha). Casou em 1424 com sua sobrinha D. Isabel (n. em 1404; f. em Arévalo, a 26 de Outubro de 1465; transladada para o Mosteiro da Batalha), filha de D. Afonso, 8 ° conde de Barcelos, e de sua primeira mulher, D. Beatriz Pereira de Alvim;
8. D. Fernando (n. em Santarém, 1402; f. no cativeiro em Fez, a 5 de Junho de 1443; transladado em 1471 para o Mosteiro da Batalha).
Da união, anterior ao seu casamento, com uma Inês Pires, o monarca teve os seguintes bastardos:
9. D. Afonso (n. talvez em Veiros, por 1380; f, na vila de Chaves, em Dezembro de 1461). Foi o 8 ° conde de Barcelos e 1 ° duque de Bragança. Casou em primeiras núpcias, a 8 de Novembro de 1401, com D. Beatriz Pereira de Alvim (n. em 1378; f. em Chaves por 1412), filha do condestável Nuno Álvares Pereira e de D. Leonor de Alvim; e em segundas núpcias, no ano de 1420, com D. Constança de Noronha (n. em data incerta; f. em Guimarães, a 26 de Janeiro de 1480), filha de D. Afonso, conde de Gijon e de D. Isabel, filha ilegítima de D. Fernando I de Castela;
10. D. Beatriz (n. talvez em Veiros, por 1382; f. de peste em Bordéus, a 25 de Outubro de 1439). Casou, no ano de 1405, com Tomás Fitzalan, 7 ° conde de Arundel, pelo que seguiu para Inglaterra; e, tendo enviuvado, a 13 de Outubro de 1415, tornou-se esposa de Gilberto Talbot, barão de Irchenfield, f. pouco depois. Pretende-se que em 1432 a infanta voltou a casar com John Holland, filho do duque de Exeter.
Fontes:
Joel Serrão (dir.)
Pequeno Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão
História de Portugal, Volume II: Formação do Estado Moderno (1415-1495),
2.ª ed., Lisboa, Verbo, 1978
2 de março de 2009
ORDENS RELIGIOSAS : Monges,frades,militares
Elas nasceram da necessidade do Cristianismo de agrupar esforços móveis no sentido da propação da religião.
Para o efeito, criaram-se ordens militares, que iriam combater os infiéis (além das Cruzadas), e ordens religiosas que iriam ser responsáveis pela gestão e manutenção desses fiéis. Outras ordens seriam mistas e/ou dedicadas apenas ao suporte de peregrinos.
Desde o início do cristianismo existiram homens e mulheres, que procuraram seguir a Jesus Cristo com uma maior liberdade, consagrando a sua vida a Deus.
No final do Império Romano, em virtude da sua conversão, milhares de fieis recém-convertidos abandonaram as suas casas, as suas cidades e refugiaram-se em lugares desertos ou simplesmente mais ermos, por forma a levarem um modo de vida mais consentâneo com aquilo que entendiam que era o modelo de vida de Cristo e dos primeiros cristãos.
Por vezes, esses cristãos agrupavam-se em pequenas comunidades, para as quais se tornou necessário criar não apenas algumas regras de convivência, mas, posteriormente, um modelo de sociedade que pudesse ser repetido em diferentes locais.
Nasciam assim as primeiras ordens, mais ou menos formais, mais ou menos aceites pela hierarquia.
O primeiro grande codificador e fundador de uma ordem religiosa, a qual teve um imenso significado, sobretudo na Europa foi São Bento de Núrsia, o qual fundou uma comunidade no Monte Cassino.
Desse centro e mediante a propagação da respectiva regra, foram-se criando dezenas e centenas de mosteiros por todo o continente. Tinha aquela regra a simplicidade necessária para cobrir quase todos os aspectos da vida quotidiana de uma comunidade religiosa, definindo os tempos de oração, os tempos de trabalho, os tempos de descanso, bem como as regras sobre deveres mútuos, resolução de conflitos, penas, etc.
Posteriormente, outros fundadores, fosse por acrescentarem algum carisma especial, fosse por as circunstâncias históricas, sociais ou geográficas assim o exigirem, foram adaptando e alterando a Regra de São Bento, criando novas comunidades e novas Ordens.
As ordens religiosas em Portugal foram exstintas em 1834.
ORDEM BENEDITINA
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| São Bento de Núrsia |
Uma ordem religiosa monástica católica que se baseia na observância dos preceitos destinados a regular a convivência comunitária. Foi composta no século VI, em 529 para a abadia de Montecassino, por Bento de Núrsia: a Regula Beneticti.
A ordem não foi, porém, fundada por este santo, tendo antes nascido da reunião de vários mosteiros que professavam a sua regra, muito após a sua morte.
Os monges desta ordem são conhecidos como beneditinos. Bento de Nursia contribuiu decididamente para a evangelização da Europa pelo que foi declarado "Patrono da Europa".
Hoje em dia, a Ordem está espalhada por todo o mundo, com mosteiros masculinos e femininos.
Seguindo o seu exemplo e inspiração, diversos fundadores de ordens religiosas têm baseado as normas e regras de seus mosteiros na "Regra" deixada por Bento, cujo princípio fundamental é Ora et labora, o que quer dizer "Reza e trabalha."
Os mosteiros beneditinos são sempre dirigidos por um superior que, dependendo da categoria do mosteiro, pode chamar-se de prior ou abade que é escolhido pelo restante da comunidade. o ritmo de vida beneditino tem como eixo principal o Oficio Divino, também chamado de Liturgia das Horas, que se reza sete vezes ao dia, tal como São Bento havia ordenado. Junto com a intensa vida de piedade e oração, em cada mosteiro se trabalha arduamente em diversas atividades manuais, agrícolas, etc. para o sustento e o autoabastecimento da comunidade.
Na Idade Media os monges beneditinos usavam camisa de lã e escapulário. O hábito ou vestidura superior é preto, pelo qual foram chamados de monges negros, em oposição aos cistercienses, que usam túnica e escapulário branco, denominados os monges brancos.
Reformas da Ordem Beneditina
Durante o transcurso da sua história, a Ordem Beneditina sofreu numerosas reformas, devido à eventual decadência da disciplina no interior dos mosteiros. A primeira reforma importante foi levada a cabo por São Juan De Perez Lloma no século X; esta reforma, chamada cluniacense (nome proveniente de Cluny, lugar da França onde se fundou o primeiro mosteiro desta reforma), chegou a tomar um grande impulso, até tal ponto que durante grande parte da Idade Média praticamente todos os mosteiros beneditinos estavam sob o domínio de Cluny.
Os cluniacenses adquiriram grande poder econômico e político, e os abades mais importantes chegaram a fazer parte das cortes imperiais e papais. Vários pontífices romanos foram beneditinos provenientes dos mosteiros cluniacenses (Alexandre II, 1061-73; S. Gregório VII, 1073-85; beato Vitor III, 1086-87; beato Urbano II, 1088-99; Pascoal II, 1099-1118; Gelásio II, 1118-19; et cétera).
Tanto poder adquirido levou à decadência da reforma cluniacense, que encontrou uma importante contraparte na reforma cisterciense, palavra proveniente de Cister (Cîteaux, em francês), na França onde se fundou o primeiro mosteiro desta reforma. São Roberto de Molesmes, S. Estevão Harding e S. Roberto de Chaise-Dieu foram os fundadores da Abadia de Cîteaux em 1098. Buscavam afastar-se do estilo cluniacense, que caíra na indisciplina e o relaxamento da vida monástica. O principal objetivo dos fundadores de Cister foi impor a prática estrita da Regra de São Benito e o regresso à vida contemplativa.
O principal impulsionador desta reforma foi S. Bernardo de Claraval (1090-1153), quem foi discípulo dos fundadores de Cîteaux, tendo ingressado ali por volta de 1108. Foi-lhe encarregada a fundação da Abadia de Claraval (Clairvaux em francês), da qual foi abade durante uns 38 anos, até sua morte. Bernardo de Claraval converteu-se no principal conselheiro dos papas, e vários dos seus monges chegaram igualmente a ocupar a Sede Pontifícia. Bernardo predicou também a Segunda Cruzada. Ao falecer levava fundados 68 mosteiros da sua ordem.
A reforma cisterciense subsiste até hoje como ordem beneditina independente, dividida igualmente em duos ramos: a Ordem Cisterciense da Comum Observância (O. Cist.) e a Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO), também conhecidos como Trapenses. São chamados também "beneditinos brancos", devido à cor do seu hábito, em contraste com os demais monges da Ordem de São Bento, chamados de "beneditinos negros".
Durante a Idade Média surgiram outras reformas importantes da Ordem Beneditina. A de S. Romualdo (†1027), quem deu começo à reforma Camaldulense. Esta reforma subsiste até hoje em dois ramos: a primeira faz parte de Confederação Beneditina (beneditinos negros); a segunda é independente, mas rege-se igualmente pela Regra de São Benito. Outra reforma importante foi a empreendida por são Juan Gualberto (†1073), quem fundou os Beneditinos de Valle Umbrosa, pelo lugar na Itália em que se construiu o primeiro mosteiro desta reforma; é igualmente hoje em dia uma congregação da Confederação Beneditina. A reforma de S. Silvestre (1177-1267), fundador dos Beneditinos de Montefano, que subsiste também hoje como congregação associada à Confederação Beneditina. A reforma do beato Bernardo Tolomei (1272-1348), que deu origem aos Beneditinos de Monte Oliveto, hoje também parte integrante da Confederação Beneditina.
Após agitados períodos da história, como a Reforma na Alemanha e os Países Baixos, a expulsão ou execução de religiosos católicos por Henrique VIII em Inglaterra, seguido do período revolucionário na França, bem como também a decadência da disciplina nos mosteiros, levou a que se dizimara a população de monges. Depois da Revolução Francesa, foi Dom Prosper Guéranger quem fez renascer a ordem beneditina em Solesmes a partir de 1833, na França.
A Ordem dos Frades Menores (em latim Ordo Fratrum Minorum, O. F. M.), também conhecida por Ordem dos Franciscanos ou Ordem Franciscana, é a ordem religiosa fundada por São Francisco de Assis. Sua regra esteve na base da Segunda Ordem Franciscana - a Ordem das Clarissas, fundada por Santa Clara de Assis e também a Ordem Franciscana Secular para leigos.
Os franciscanos não são monges, mas sim religiosos: realizam voto de pobreza, castidade e obediência. Vivem em fraternidades, que se designam por conventos e não como abadias ou mosteiros. Os seus conventos são tradicionalmente junto das cidades.
A Ordem dos Pregadores (latim: Ordo Prædicatorum, O. P.), também conhecida por Ordem dos Dominicanos ou Ordem Dominicana, é uma ordem religiosa católica que tem como objectivo a pregação da mensagem de Jesus Cristo e a conversão ao cristianismo.
Foi fundada em Toulouse, França, no ano de 1216 por São Domingos de Gusmão, sacerdote castelhano (actual Espanha), o qual era originário de Caleruega.
Os dominicanos não são monges, mas sim religiosos: realizam voto de pobreza, castidade e obediência. Vivem em comunidade, que se designam por conventos e não como abadias ou mosteiros. Os seus conventos são tradicionalmente junto das cidades.
A Ordem de Santo Agostinho (OSA), em latim Ordo Sancti Augustini, cujos membros são denominados frades agostinianos ou agostinhos, é uma ordem religiosa católica de frades mendicantes que seguem a linha de pensamento de Santo Agostinho.
Na ordem, há frades ordenados sacerdotes e há os que não são, fazendo apenas os votos de profissão religiosa.
O dia 16 de dezembro de 1243, o papa Inocêncio IV emitiu a bula Incumbit nobis conclamando numerosas comunidades eremitas da Toscana a se unirem em uma só ordem religiosa com a Regra e forma de vida determinadas por Santo Agostinho, às comunidades que fundou durante sua vida.
Os principais eremitas eram: os Eremitas de Santo Agostinho da Túxia, cujos mosteiros, originariamente independentes, em março de 1244, por decisão da Santa Sé, foram reunidos numa única organização; os Eremitas de Brettino, pelo nome da localidade; e os Eremitas de São João Bono.
No mês de março de 1256, em Roma, na Igreja de Santa Maria do Povo, reuniram-se, por vontade do Papa Alexandre IV, os delegados de todos os mosteiros acima citados e de outros institutos menores, num total de cerca de trezentos e sessenta membros. Na presença do legado papal, Cardeal Ricardo degli Annibaldi, os frades eremitas ouviram e aceitaram a vontade do Pontífice de se reunirem para constituir uma única grande Ordem, a dos Eremitas de Santo Agostinho.
Os frades eremitas da Toscana elegeram, então, um Prior-Geral e formalizaram suas constituições. A Santa Sé achou por bem fazer isso também para que os frades se transferissem para as cidades e lá construíssem seus conventos, podendo assim catequizar o povo através do exemplo, da pregação e do atendimento nas confissões.
Desta forma, a Ordem Agostiniana passou a desenvolver sua dimensão apostólica, muito marcante em seu fundador.
ORDENS MILITARES
As Ordens militares (e religiosas) nasceram da necessidade do Cristianismo de agrupar esforços móveis no sentido da propagação da religião. Para o efeito, criaram-se ordens militares, que iriam combater os infiéis (além das Cruzadas), e ordens religiosas que iriam ser responsáveis pela gestão e manutenção desses fiéis. Outras ordens seriam mistas e/ou dedicadas apenas ao suporte de peregrinos.
Segue-se uma lista de ordens militares documentadas na Wikipédia, ordenadas pela data da sua militarização:
criada em 1118, militarizada em 1120 - Ordem dos Templários
1136 - Ordem dos Hospitalários
1147 - Ordem de S. Miguel da Ala
1158 - Ordem de Calatrava
c. 1160 - Ordem de Santiago
1176 - Ordem de Avis (ramo da Ordem de Calatrava)
1193 - Cavaleiros Teutônicos
1246 - Ordem dos Cavaleiros da Concórdia
1323 - Ordem de Cristo (descendente da Ordem dos Templários, formada pelo grão-mestre da Ordem de Avis)
século XIV - Ordem da Jarreteira
1573 - Ordem de S. Sebastião dita da Frecha
1687 - Ordem do Cardo-selvagem
ORDEM DOS TEMPLÁRIOS
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim "Pauperes commilitones Christi Templique Solomonici"), vulgarmente conhecida como Ordem dos Templários ou Ordem do Templo (em francês "Ordre du Temple" ou "Les Templiers"), foi uma das mais famosas das Ordens Militares de Cavalaria[1]. A organização existiu por cerca de dois séculos na Idade Média, fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito original de assegurar a segurança dos muitos cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista.
Oficialmente aprovada pela Igreja Católica em torno de 1129[2], a Ordem tornou-se uma das favoritas da caridade em toda a cristandade, e cresceu rapidamente quer em membros quer em poder. Os cavaleiros templários, em seus característicos mantos brancos com a cruz vermelha, estavam entre as mais qualificadas unidades de combate nas Cruzadas[3]. Os membros não-combatentes da Ordem geriam uma vasta infra-estrutura económica em toda Cristandade, inovando em técnicas financeiras que constituíam o embrião de um sistema bancário[4], [5] e erguendo muitas fortificações por toda a Europa e a Terra Santa.
O sucesso dos Templários esteve estreitamente vinculado ao das Cruzadas. Quando a Terra Santa foi perdida, o apoio à Ordem reduziu-se. Rumores acerca da cerimónia de iniciação secreta dos Templários criaram desconfianças, e o rei Filipe IV de França, profundamente endividado com a Ordem, começou a pressionar o Papa Clemente V a tomar medidas contra eles. Em 1307, muitos dos membros da Ordem em França foram detidos, torturados até darem falsas confissões, e então, serem queimados em estacas[6]. Em 1312, o Papa Clemente, sob contínua pressão do rei Filipe, dissolveu a Ordem. O súbito desaparecimento da maior parte da infra-estrutura europeia da Ordem deu origem a especulações e lendas, que têm mantido o nome dos Templários vivo até aos nossos dias.
ORDEM DOS HOSPITALÁRIOS
A Ordem de Malta (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, também conhecida por Ordem do Hospital, Ordem de S. João de Jerusalém, Ordem de S. João de Rodes, etc.), é uma organização internacional católica que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra Santa, durante as Cruzadas, mas que rapidamente se tornaria numa Ordem militar cristã, numa congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra.
Face às derrotas e consequente perda pelos cruzados dos territórios na Palestina, a Ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta, como estado vassalo do Reino da Sicília.
Actualmente, a Ordem de Malta é uma organização humanitária internacional, que dirige hospitais e centros de reabilitação em diversos países.
ORDEM DE CALATRAVA
No ano de 1150, Afonso VII de Castela doou à Ordem dos Templários os domínios e o Castelo de Calatrava, no rio Guadiana, para os defenderem das arremetidas dos Mouros. Abandonado pouco depois, só no tempo de Sancho III de Castela o castelo voltou a ser ocupado pelo abade D. Raimundo e mais alguns monges que seguiam a regra da Ordem de Cister. Por essa época, o número de cavaleiros da Ordem aumentou rapidamente, e o Papa reconheceu a Ordem de Calatrava em 1164.
Tendo alguns frades da nova Ordem vindo a radicar-se em Évora, em Portugal, em 1211, D. Afonso II (1211-1223) doou-lhes os domínios de Avis, e acredita-se que, já nessa época, a Ordem portuguesa de Avis tivesse um estatuto independente, embora continuasse subordinada à castelhana.
A insíginia da Ordem é uma cruz floreada de vermelho, no hábito.
ORDEM DE SANTIAGO
A Ordem Militar de Santiago é uma ordem religiosa-militar castelhano-leonesa instituída por Afonso VIII de Castela e aprovada pelo Papa Alexandre III, tornando-a assim uma ordem supranacional, directamente responsável perante o chefe máximo da Cristandade. Apesar disso, os primórdios da ordem são confusos, já que, antes de ser instituída formalmente por Afonso VIII, já o seu sobrinho-neto Fernando II de Leão lhes havia concedido a guarda da cidade de Cáceres, na Extremadura (a qual, no entanto, tiveram que abandonar por haver sido conquistada pelos muçulmanos).
Os Cavaleiros de Santiago, chamados de Santiaguistas ou Espatários (por ser o seu símbolo uma espada em forma crucífera – ou uma cruz de forma espatária, dependendo do ponto de vista), fizeram votos de pobreza e de obediência, mas, seguindo a regra de Santo Agostinho ao invés da de Cister, os seus membros não eram obrigados ao voto de castidade, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores eram casados). No entanto, a bula papal recomendava (não obrigava) o celibato, e os estatutos da fundação da Ordem afirmavam, seguindo um princípio das cartas paulinas: "Em castidade conjugal, vivendo sem pecado, assemelham-se aos primeiros padres apostólicos, porque é melhor casar do que viver consumindo-se pelas paixões".
Santiago Maior como Santiago Matamouros, envolvido no manto da Ordem. Pintura da escola de Cuzco, século XVII.Afonso VIII cedeu-lhes Uclés (em 1174), que se tornou a principal sede da ordem – donde, a designação usada nos primeiros tempos para a Ordem como Ordem de Uclés – e mais tarde Moya, Mira Osa, Montiel e Alfambra.
Os Espatários participaram na reconquista de Teruel e Castellón e combateram na batalha de Navas de Tolosa (1212). Os monarcas, primeiro de Leão, depois de Castela, concederam-lhe inúmeros privilégios, para além de lhe darem a posse de extensas regiões, com o intuito de as repovoar, na Andaluzia e em Múrcia.
Durante o século XV, a ordem transferiu o seu campo de actuação para a Serra Morena, e os seus mestres tomaram como residência a povoação de Llerena (Badajoz), proporcionando um grande crescimento na região.
Com o passar do tempo e o fim da Reconquista, a Ordem de Santiago viu-se implicada nas lutas internas de Castela. Ao mesmo tempo, devido aos seus inúmeros bens, teve que, por várias vezes, sustentar as pretensões da Coroa. Por outro lado, sendo o cargo de Grão-Mestre de tamanha importância, eram frequentes as lutas entre grandes famílias para alcançar essa dignidade.
Devido a todos estes problemas, após a morte do Grão-Mestre Alonso de Cárdenas em 1493, os Reis Católicos pediram à Santa Sé que providenciasse uma forma de acabar com os problemas na administração da ordem, reservando para si mesmos o mestrado da ordem – medida que era ao mesmo tempo uma necessidade e uma recompensa pelos serviços prestados pelos reis de Castela e Aragão ao serviço da fé católica (em 1492 fora conquistado o último reduto muçulmano da Península Ibérica – Granada). Assim, por uma bula de 1493, o papa concedeu aquela dignidade aos Reis Católicos.
Após a morte de Fernando, o Católico, tornou-se grão-mestre da Ordem Carlos I de Espanha; volvidos sete anos, em 1523, o Papa Adriano VI uniu para sempre à coroa de Espanha os grão-mestrados das Ordens de Santiago, Calatrava e Alcântara, tornando-se este um mero título hereditário dos reis de Espanha. Até então, o Grão-Mestre de Santiago era eleito pelo Conselho dos Treze, assim chamado por estarem presentes treze cavaleiros designados de entre os governadores e comendadores provinciais da Ordem.
D.2. : Cultura: Arte e Religião: FICHA
Fig. A: Românico
“A arte europeia ficou marcada por dois estilos: o Românico e o Gótico. A arte românica criou edifícios robustos e fechados, ligados a uma época de guerras e insegurança. O gótico assumiu-se como uma arte sobretudo urbana, mais leve e luminosa ligada a uma época de prosperidade e desenvolvimento.”
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1.2. Identifica, na figura B, três elementos característicos da arquitectura gótica.
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1.3. Indica um monumento românico português.
1.4. Indica um monumento gótico português.
1.5. Faz um desenho arquitectónico, de cada estilo medieval e elabora uma legenda.
D.2. : Cultura: Arte e Religião: Arte Gótica
Introdução
Desvalorizado enquanto criação artística pelos humanistas da Renascença, defensores dum classicismo italianizante que reviam no Gótico a maniera tedesca (germânica) ou a maniera dei goti (dos bárbaros), esta arte medieval foi reabilitada a partir do século XVIII, emergindo, ainda que com algumas hesitações, das "Trevas" a que estava associada.
Esta arte, que se desenvolve na Europa entre os séculos XII e XV, nasceu na Ilha de França (Paris), na Catedral de Sens (1130-1162) e na Abadia de St. Denis (1130-1144), expandindo-se depois a outras regiões. O abade Suger aparece como o grande mentor da renovação estética e ideológica do Gótico, ao realizar uma série de intenções programáticas em St. Denis, imbuídas do enquadramento escolástico e das interpretações neoplatónicas. Este sistema de pensamento faz-se corresponder numa arte onde o Mistério da Luz teoriza e fundamenta a própria concepção espacial, ao serviço duma fé aglutinadora e poderosa. Trata-se da "estética da elevação espiritual" que este estilo eterniza, mas a sua originalidade não se resume aos princípios ideológicos.
Arquitectura
Durante a época gótica, a arquitectura, simbolizada pela grande Catedral, foi a forma artística que conheceu um maior desenvolvimento técnico e formal. Grande parte das criações escultóricas deste período surgem associadas à arquitectura (normalmente de carácter religioso), sendo aplicadas tanto no exterior como no interior dos edifícios. Procurava em simultâneo exaltar e descrer os textos sagrados, todas as esculturas da Catedral cumpriam um vasto programa narrativo que as transformou num verdadeiro "Livro de Pedra". Para além destas peças escultóricas que integravam as fachadas (caso das representações de anjos e de santos das portas, das figuras fantásticas que formavam as gárgulas, das séries de retratos de reis), ou os interiores das naves, como os capitéis esculpidos, os frisos decorados e os retábulos em pedra, foram igualmente desenvolvidas estátuas de escala mais modesta que se tornaram autónomas relativamente aos organismos arquitectónicos.
Estas esculturas, de pequena dimensão e de temática religiosa, destinavam-se ora às igrejas rurais, ora ao culto privado. A partir dos inícios do século XIII, momento que marcou a ascensão de uma estética mais naturalista e menos estilizada, as estátuas representando a Madonna com o menino constituíram um dos temas preferidos. Estas estátuas, tal como grande parte dos edifícios, eram pintadas.
O mosteiro da Batalha, em Portugal, apresenta um dos mais notáveis conjuntos de estatuária gótica integrada em arquitectura, assim como o grande túmulo de D. João I. Dentro deste género são de referir ainda os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, colocados no transepto do mosteiro de Alcobaça, que constituem o mais perfeito conjunto escultórico português da época gótica.
Tecnologicamente, o gótico define-se pela utilização concertada do arco ogival e da abóbada de nervuras cruzadas, que permitiram o arrojo de coberturas mais altas (estreitamento dos pilares) e mais leves. O uso de nervuras diagonais introduz a complexificação dos sistemas de suporte - os pilares adensam-se e concentram elementos distintos (colunelos, colunas, pilastras), recebendo a descarga imposta pelas nervuras. As paredes libertam-se das anteriores abóbadas, adelgaçam-se numa quase desmaterialização, à qual não é estranho o emprego de contrafortes exteriores separados dos panos parietais, aos quais se unem por meio de arcobotantes (arcos de descarga). Verifica-se na arquitectura gótica uma acentuada renovação espacial que nos distancia do modelo basilical, sobretudo pela verticalidade.
Os elementos de suporte complexificam-se e alongam-se e as abóbadas de cruzaria conferem unidade ao espaço. As paredes desmultiplicam-se em andares (galerias, trifório), onde a presença da luz natural contribui para a intensificação da mística religiosa. Tudo é linear, proporcional e uno, numa estreita correspondência de partes. O coro desenvolve-se de maneira por vezes excepcional, dando origem à formação de deambulatórios com as respectivas capelas radiantes, favorecendo a aproximação tangencial do crente com o seu Deus. As paredes são ritmadas por amplos janelões que transfiguram a luz através de elaborados vitrais, de vincado carácter narrativo.
A nível da planta consagra-se a adopção do plano em cruz latina, com três naves de altura e largura desiguais e transepto geralmente com três naves, embora pouco saliente.
As fachadas concentram dois elementos-chave do Gótico - o portal e a rosácea (alude ao sol como símbolo de Cristo e à rosa como símbolo de Maria) -, rivalizando entre si nas dimensões e enriquecimento escultórico.
Artes plásticas e decorativas
Na época gótica abandonou-se a tendência para pintar o interior das igrejas com os grandes ciclos narrativos que caracterizaram o estilo românico, acentuando-se a preferência por decorações parietais com base em tapeçarias ou esculturas. Por esta razão, a pintura sobre tábua ou o grande fresco parietal, aplicado nos salões das residências nobres, tornaram-se nos géneros pictóricos com maior divulgação e desenvolvimento.
As pinturas sobre madeira, geralmente de temática religiosa, eram muitas vezes organizadas em conjuntos, formando polípticos. Destes os mais divulgados foram os trípticos, formados por um painel central quadrado e por dois elementos laterais que se fechavam sobre ele.
Num primeiro momento, os artistas góticos, interessados em criar atmosferas mística e divinas de carácter abstractizante e irreal, não revelavam grande interesse pela representação da sensação de profundidade. Assim, os fundos das imagens eram geralmente dourados, tratados como panos lisos, o que permitia realçar as figuras e as cenas, representadas com grande pormenor.
A partir de finais do século XIII e durante a centúria seguinte, os fundos das pinturas ganham um sentido mais naturalístico. O italiano Giotto di Bondone foi o mais importante pintor do período do Gótico final. As suas pinturas e frescos tornaram-se famosos pelo grande naturalismo na representação das figuras, do claro-escuro, dos suaves modelados das vestes ondulantes e dos elementos vegetais e pela integração das personagens em espaços arquitectónicos de acentuada tridimensionalidade.
O "Políptico da Veneração" (também conhecido por "S. Vicente de Fora"), que retrata, em vários painéis, os diferentes grupos sociais do Portugal medieval, constitui um dos mais importantes conjuntos pictóricos da história da arte portuguesa. A sua autoria, envolvida em grande polémica, é geralmente atribuída ao pintor Nuno Gonçalves, cuja obra alcançou um grande nível artístico.
Dentro do campo das artes decorativas ou aplicadas, a Iluminura conheceu, na época gótica, simultaneamente o seu paroxismo e ocaso, derrotada no século XV com a divulgação da imprensa e a expansão da gravura. De entre os principais centros artísticos de produção e exportação de manuscritos iluminados salientavam-se as ricas cidades comerciais flamengas, como Gant e Bruges. Estes manuscritos, de carácter religioso ou profano, eram realizados por encomenda e continham, para além dos textos, elementos decorativos ou (como por exemplo as caprichosas letras de início de página e as molduras com motivos geométricos ou vegetalistas) narrativos (ilustrações pintadas geralmente em páginas inteiras). Um dos mais interessantes manuscritos iluminados realizados neste período foi o famoso livro de horas do duque de Berry "Les Très Riches Heures" realizado pelos irmãos Limbourg no século XV.
Um género que conhece grande divulgação e desenvolvimento nesta altura é o vitral. Respondia às necessidades de encerrar os enormes vãos abertos nas paredes dos templos criando uma superfície translúcida e luminosa de acentuada imaterialidade que pudesse acentuar o sentido etéreo e místico do próprio espaço arquitectónico. O vitral era formado por pedaços de vidro colorido unidos por fios de chumbo, podendo formar imagens figurativas ou abstractas.
Em Portugal
Em Portugal, a utilização dos novos suportes, das nervuras ou ogivas góticas, surge já em edifícios do século XII, com soluções pontuais de compromisso com o estilo anterior (primitiva abóbada de S. João de Tarouca; Póvoa de Lanhoso). Os exemplos góticos, se exceptuarmos o caso de Alcobaça, da Batalha e da Sé de Évora, são normalmente de pequenas dimensões e recorrem a estruturas românicas (não necessitando portanto de arcobotantes), de exterior marcadamente horizontal. As cabeceiras e capelas-mores foram objecto de um maior enriquecimento e arrojo técnico, sendo normalmente o corpo destituído de abobadamento. A aparente singeleza e modéstia dos templos portugueses é um pouco reflexo da sociedade que albergavam - de facto, a Batalha, dotada das suas agulhas, pináculos e flechas, surge isolada no panorama português.
O primeiro edifício plenamente gótico em Portugal data do século XII (1178). O Mosteiro de Alcobaça, embora seja fruto de uma importação estilística, foi responsável pela introdução pontual da nova linguagem ao contribuir para a formação dos seus interlocutores.
O estilo gótico consolida-se após a crise de 1190-1250, numa cronologia quase paralela ao reinado de D. Afonso III (1245-1279), que assiste à unificação e estabilização da nação após a conquista do Sul - Lisboa, Santarém e seus arredores polarizam as empreitadas. Iniciam-se empreendimentos como S. João de Alporão (Santarém) e Santa Maria do Olival (Tomar), surgindo também estaleiros de referência (Sé de Évora), e os grandes mosteiros mendicantes iniciam obras.
Com D. Dinis (1279-1325), prolongam-se e concluem-se as obras dos ditos conventos e a arquitectura militar é impulsionada. Alcobaça é dotada de um claustro, tal como a Sé lisboeta e, Coimbra, Tavira e Vila do Conde vêem nascer os seus conventos. D. Afonso IV (1325-1357) assiste à edificação da abside da Sé de Lisboa e D. Fernando (1367-1383) faz novamente uma inflexão face à arquitectura militar. É com D. João I (1383-1433) que surge o período final do gótico português - o imenso estaleiro da Batalha que se irá eternizar. Há uma continuação das obras que os tempos de crise forçaram a parar, surgindo mesmo novas iniciativas régias (claustro da Sé do Porto; catedrais da Guarda e de Silves, e Colegiada de Guimarães).
Esta "arte nova", reflexo de uma construção ideológica complexa, afirma-se lentamente, ainda que com soluções de compromisso, tal como a sociedade que a viu nascer se vai libertando do corporativismo feudal. O crescimento urbano dinamiza a vida comunal, a sociedade enriquece e as encomendas proliferam, contribuindo para um enriquecimento dos templos. Estes, imbuídos duma nova vivência religiosa, abrem-se aos crentes na glorificação do mistério cristológico.
Como referenciar este artigo:
Gótico. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-20].
















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