Nascido em Núrsia, Itália, em cerca de 480, morreu em Monte Cassino em 21 de Março de 543 ou 547, a sua vida é conhecida através dos Diálogos do Papa São Gregório Magno. Filho de proprietários rurais, segundo uns, e de uma família nobre romana de Núrsia, segundo outros, uma tradição aceite por São Bedo diz que ele teria uma irmã gémea chamada Escolástica. São Bento passou a sua juventude a estudar em Roma, mas cedo se retirou da vida dissipadora da cidade e resolveu ir viver para uma comunidade de ascetas em Enfide, fazendo-se mais tarde anacoreta em Subiaco, onde realizou o seu primeiro milagre. Durante estes anos de solidão, São Bento teve tempo de amadurecer as suas ideias, e, pela sua conduta, ganhar o respeito de todos à sua volta. De tal forma que a morte de um abade de um mosteiro das redondezas, que alguns dizem ser de Vicovaro, fez com que a respectiva comunidade escolhesse São Bento como seu abade. Conhecendo a vida e a disciplina do mosteiro e alegando que a sua maneira de viver não estava de acordo com estas, São Bento recusou inicialmente mas, perante a insistência, acabou por dar o seu consentimento. A experiência falhou porque os frades não estavam habituados à maneira dura de viver do santo e tentaram envenená-lo, voltando São Bento para a sua gruta. Os seus milagres tornaram-se frequentes, a partir de então, e muitas pessoas atraídas pela sua santidade vieram viver para Subiaco. Fundou uma comunidade de monges distribuída por doze pequenos mosteiros, em cada um dos quais havia um monge superior e doze monges, mantendo-se o santo abade de todos eles. Nestes mosteiros começaram a funcionar escolas para crianças onde estudaram Mauro e Plácido. Em 529, transferiu-se com os seus monges para o Monte Cassino, onde escreveu a sua famosa Regra e atraiu muitos discípulos e simples fiéis até à data da sua morte com a sua santidade, a sua sabedoria e os seus milagres. Monte Cassino foi fundado no lugar de um antigo templo pagão dedicado a Apolo e São Bento juntou a sua comunidade num único edifício. Ao contrário de Subiaco, Monte Cassino era situado num distrito populoso, com várias dioceses e mosteiros, o que proporcionava o convívio e a visita de prelados, nobres e das restantes classes sociais, tornando-se o refúgio e a protecção dos pobres. Escolástica, a irmã de São Bento, visitava-o uma vez por ano e faleceu numa das visitas tendo vindo a ser enterrada no túmulo que São Bento tinha preparado para si próprio, em Monte Cassino, e onde também veio a ser enterrado. O corpo de São Bento foi trasladado para Fleury, em 693, tendo mais tarde o Papa Zacarias mandado trazer uma parte das suas relíquias para o Monte Cassino.
São Bento era conhecido pela sua grande simpatia, carinho e por uma grande capacidade de sacrifício e dedicação à sua comunidade. A Regra de São Bento, escrita em latim vulgar, tem como fontes a Sagrada Escritura, os santos Pacómio, Basílio, Leão Magno, Jerónimo e Agostinho, entre outros. Foi redigida para os cenobitas e é actualmente seguida por Beneditinos, Cistercienses, Camáldulos e outros, tendo sido traduzida em Portugal pela primeira vez em Alcobaça, no século IV. Segundo alguns estudiosos, a Regra de S. Bento foi escrita para leigos, para que estes observassem uma vida o mais próxima possível do Evangelho, e não para clérigos, já que a intenção de S. Bento não era constituir uma ordem ou uma regra para clérigos. Com a imposição por parte da Igreja do estado de clericanismo aos Beneditinos, foi levada a cabo a consequente imposição dos deveres clérigos e sacerdotais. No entanto, as características de leigos permaneceram e distinguem a ordem das restantes. Uma das características da ordem é o trabalho como meio de se atingir o bem e chegar a Deus, a outra é o carácter social da ordem e do seu sentido de comunidade vivendo para o bem dos outros. Seguindo um ideal de pobreza, este é muito diferente do ideal de pobreza defendido por São Francisco de Assis, já que admite alguns poucos bens pessoais e bens da comunidade que podem ser muitos mas devem sempre ser utilizados para benefício do próximo.
Como referenciar este artigo:
São Bento de Núrsia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-04-23].
A RECONQUISTA: CONDADO PORTUCALENSE: REINO DE PORTUGAL
No início do século VIII os Muçulmanos conquistaram a Península Ibérica. A Reconquista Cristã destes territórios demorou cerca de 800 anos.
Ao longo desse tempo Cristãos e Muçulmanos tiveram períodos de luta, mas também de convivência pacífica e de troca de conhecimentos.
No ano 711 um exército muçulmano vindo do Norte de África atravessou o estreito de Gibraltar e ocupou quase toda a Península Ibérica vencendo os Visigodos (Batalha de Guadalete)e foram derrotados pelos Francos em 732 na Batalha de Poitiers por Carlos Martel.
Na Península Ibérica só nas Astúrias é que os cristão resistiram tendo como chefe Pelágio que derrotou os Muçulmanos na Batalha de Covadonga, aí começou a RECONQUISTA.
A Reconquista apoiada pela Igreja Católica e por outros reinos cristãos, foi um movimento militar e religioso que se integrou, a partir do século XI, no contexto das CRUZADAS, nas lutas contra o INFIEL, como então se chamava aos Muçulmanos (mouros), desenvolvidas pela Santa Sé.
O movimento de Reconquista Cristã, que se iniciou nas Astúrias, levou à formação de vários reinos cristãos na Península Ibérica. A partir de um destes reinos, o de Leão e Castela, formou-se o Reino de Portugal.
No século X os Cristãos dominavam a Península até à linha do Rio Douro. Formaram-se quatro reinos cristãos: Leão, Castela, Navarra e Aragão. As fronteiras destes reinos sofreram avanços e recuos.
Os Mouros pedem ajuda aos Almorávidas e os cristãos pedem ajuda a cruzados franceses e flamengos.
O CONDADO PORTUCALENSE
De entre os nobres franceses que vieram em auxílio do rei cristão, destacou-se D. HENRIQUE DE BORGONHA. Como recompensa pelos serviços prestados, Afonso VI entregou a D. Henrique a sua filha TERESA, em casamento e doou-lhe os territórios entre o rio Minho e Coimbra- O CONDADO PORTUCALENSE.
Esta doacção era um FEUDO, D. Henrique tornou-se vassalo do rei de Leão e Castela e uma das obrigações era alargar o território para Sul, lutando contra os mouros.
D. Henrique morreu em 1112, sucedendo-lhe no trono a sua esposa, D. Teresa.
D. AFONSO HENRIQUES filho de ambos lutou contra a mãe e venceu-a em 1128 na Batalha de S. Mamede e assumiu o governo do Condado.
D. AFONSO HENRIQUES
-Alargou o território para Sul
-Obteve a independência face ao rei de Leão e Castela de seu primo Afonso VII no TRATADO DE ZAMORA (1143).
-Conseguiu da Santa Sé (autoridade máxima na Europa nesta época) reconhecesse a independência de Portugal. (1179: A BULA MANIFESTIS PROBATUM pelo Papa Alexandre III.)
Portugal tornou-se independente em 1143.
Os muçulmanos foram expulsos definitavamente por Afonso III.
O Cristianismo, com todas as suas variantes rituais e teológicas, é a maior religião a nível mundial, com uma expressiva representação em todos os continentes. Este sistema de crenças e de valores tem como elemento central a figura de Jesus Cristo, a partir do qual emergiram diferentes práticas religiosas.
Os vários credos cristãos discordam no seu entendimento e na sua definição daquilo que distingue Cristo e o torna único, mas todos concordam que a sua vida foi um exemplo a seguir, e que os seus ensinamentos acerca do amor e do companheirismo devem ser as bases das relações entre os homens. Grande parte dos seus ensinamentos tem pontos em comum com os dos rabis judaicos e com a filosofia de Confúcio e de Sócrates.
Para os Cristãos, Jesus Cristo é o supremo pregador e um exemplo moral de vida, mas para muitos destes crentes isso, por si só, não justifica inteiramente o significado do seu trabalho e da sua vida.
As parcas informações históricas acerca de Jesus estão contidas nos Evangelhos do Novo Testamento da Bíblia e nos escritos de Flávio Josefo, um historiador judeu romanizado do século I.
Um dos princípios fundamentais deste credo, que pode ter muitos nomes diferentes, é o conceito de "Pai". Os Cristãos identificam Jesus como "O Filho de Deus". A doutrina cristã, entretanto, evoluiu para uma forma segundo a qual Jesus Cristo, mais do que o filho de Deus, passou a integrar a Trindade absoluta, isto é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não se trata de três entidades distintas, mas antes uma só. Este conceito é um dos princípios básicos do Cristianismo, presente, nomeadamente, no sacramento do baptismo, um acto simbólico pelo qual o crente é ritualmente purificado e perfilha esta religião.
A oração privada foi ensinada por Jesus Cristo, mas este também apelou à oração em comunidade. Desde o tempo do Novo Testamento, o primeiro dia da semana foi o escolhido para a oração comunal. O domingo, o dia da ressurreição do senhor, é o dia de descanso semanal e o dia por excelência de oração, tal como o Sabbath dos Judeus.
A pregação de Jesus Cristo está baseada nos dez mandamentos. Todavia, entre estes, há dois que se destacam dos demais: são eles o amor a Deus e o amor ao próximo, que sintetizam os seus ensinamentos.
A esperança numa vida depois da morte é outro dos elementos basilares deste credo. A Igreja fala nesta esperança na linguagem da ressurreição, uma nova vida de participação na glória da ressurreição de Cristo. Esta crença serve muitas vezes de motivação para tornar a vida na terra mais confortável.
Os dados conhecidos sobre Jesus Cristo e sobre os primórdios do Cristianismo foram-nos legados pelos seus seguidores, e muitas vezes estes relatos subjectivos, sem grande rigor histórico, levantam mais questões do que aquelas a que respondem. No entanto, podem descortinar-se algumas informações sobre Jesus de Nazaré e as primeiras comunidades cristãs.
Sabe-se que a mensagem de Cristo atraiu muitos seguidores que o consideravam como um novo profeta. As suas palavras e acções foram transmitidas às gerações vindouras pelos evangelistas, que narraram a vida de Jesus na terra à luz da experiência identificada pelos cristãos primitivos com o milagre da ressurreição. Muitos dados foram recolhidos da Bíblia Hebraica (basicamente o Pentateuco), chamada pelos Cristãos Antigo Testamento, para construir uma realidade que vieram a conhecer, a do Novo Testamento.
A cidade de Jerusalém foi o centro da primeira comunidade cristã, pelo menos até à destruição da cidade pelos Romanos em 70 d. C., por ordem de Tito, que mandou destruir também o templo. O centro do movimento cristão irradiou então a sua influência a outros núcleos urbanos da Palestina e mesmo para além desta.
O primeiro apelo estava confinado aos Judeus, para quem representava o cumprimento da promessa feita por Deus aos profetas, a Abraão, a Isaac e a Jacob. Já nos primeiros tempos do Cristianismo, a sua posição face ao Judaísmo era de continuidade e de preenchimento, mas também de antítese e de afirmação. A quebra da continuidade entre o Judaísmo e o Cristianismo nunca foi total, porque muitos elementos do judaísmo estão presentes na Bíblia cristã. O próprio Jesus Cristo era judeu, e o Novo Testamento da Bíblia não aparece sozinho; ele é, em grande medida, a continuação do Antigo Testamento dos Judeus.
A cisão entre estes dois credos deu-se com a mudança de membros no final do século II. Num determinado momento, os Cristãos sem raízes judaicas ultrapassaram em número os judeus cristãos. A influência do apóstolo Paulo foi crucial. Paulo nascera judeu, com estatuto de cidadão romano, mas converteu-se ao Cristianismo, vindo a tornar-se um instrumento de transmissão da mensagem de Cristo aos gentios através das suas Epístolas (cartas) direccionadas para as comunidades cristãs.
Paulo merece o título de "primeiro teólogo cristão", e a sua obra terá seguimento no trabalho de muitos teólogos que se basearam nos conceitos apresentados nas suas Epístolas, compiladas no Novo Testamento.
A clarificação da mensagem cristã tornou-se uma necessidade quando começaram a surgir diferentes interpretações sobre os mesmos temas. Estas heresias diziam respeito à pessoa de Cristo. Alguns tentaram proteger a sua divindade pela negação da sua qualidade humana, enquanto outros protegeram a fé monoteísta tornando Cristo menos divino do que Deus.
A Igreja respondeu a estes desvios com a especificação da divindade de Cristo. As conclusões relativas à sua relação com Deus e com a sua humanidade saíram de Concílios reunidos durante os séculos IV e V. Os mais importantes foram o Concílio de Niceia, de 325, e o de Calcedónia, de 451, nos quais foram estabelecidas as doutrinas da Trindade e da dupla natureza de Cristo (divino e humano), e a criação de uma linguagem de teologia filosófica em grego e em latim. O grande mentor da teologia ocidental foi Santo Agostinho de Hipona, o autor de obras como Confissões e Cidade de Deus, obras marcantes do pensamento cristão.
Durante os primeiros tempos do Cristianismo, a relação com o poder instituído não foi muito pacífica, como seria de esperar. Inicialmente era visto como uma seita judaica dentro do Império Romano. Antes da morte do imperador Nero, em 68 d. C., tinha já sido apontada como inimiga do Estado. A hostilidade face aos Cristãos cresceu desde então.
A lealdade dos Cristãos ao seu Senhor, Jesus Cristo, era um ponto incontornável que os romanos não admitiam, pois colidia com a adoração e o culto do imperador como o único "senhor". Os imperadores Trajano e Marco Aurélio, empenhados na unificação e na reforma do império, estão entre alguns dos mais ferozes combatentes desta ameaça. Todavia, não foi o aspecto religioso que alarmou Roma, mas antes o facto desta considerar o Cristianismo uma ameaça à ordem pública.
A perseguição dos primeiros Cristãos levou-os a praticar o seu culto clandestinamente, em lugares afastados dos olhos dos Romanos. A reunião dos crentes era feita maioritariamente em catacumbas ou galerias subterrâneas, onde podiam livremente expressar a sua fé, longe dos perigos do mundo da superfície.
Esta religião cristã teve necessidade de construir espaços onde os crentes pudessem praticar a sua fé. Assim, numa primeira fase, as catacumbas eram os únicos espaços que ofereciam alguma segurança para os fiéis se reunirem em segredo. As catacumbas mais importantes são as de Roma, onde se encontram ainda hoje vestígios de frescos da autoria de artistas modestos, formados nas oficinas romanas, que dão um tratamento inovador à estética pagã.
As formas arquitectónicas da arte paleo-cristã evoluíram a partir de tipologias romanas. Inicialmente, não havia uma arquitectura característica porque o culto era praticado em locais privados. Na arte funerária era diferente, sobretudo para as famílias cristãs que possuíam propriedades fora das cidades, onde escavavam galerias para enterrar os seus mortos, que, ao contrário dos pagãos, não eram cremados. Nestas paredes surgem os primeiros exemplares deste tipo de arte.
A questão da iconografia paleocristã é bastante problemática, pois alguns teólogos cristãos eram adversos à figuração humana, isto é, à representação dos Santos e de Cristo, presente na arte pagã (intransigência que é visível, por exemplo, no Islão, que ainda hoje tal proíbe). Outros, porém, eram defensores deste tipo de temática na iconografia, direccionada para ensinar a religião a uma população maioritariamente analfabeta. Embora tardiamente, esta foi a tendência que triunfou no Ocidente.
A maior evolução desta arte deu-se sobretudo no campo da iconografia, com a constituição de um programa temático para a nova religião. Eram representadas figuras naturalistas, sem grande profundidade nem riqueza de pormenores, com um forte teor pedagógico.
A iconografia paleocristã apresentava temas retirados do Antigo Testamento (o Bom Pastor ou o Orante) aliados a temas do Novo Testamento (Daniel e a cova dos leões, a Última Ceia) e temas clássicos readaptados a esta nova religião (os pássaros que representam a alma, as vindimas como símbolo da Eucaristia, etc). Em finais do século IV, a estas referências veio juntar-se uma forte influência oriental, também patente na arte romana.
Por outro lado, a Cristandade tinha crescido a tal ponto, desde meados do século IV d. C., que ou era totalmente irradicada ou teria que ser aceite. O imperador Diocleciano tentou acabar com o cristianismo, movendo violentas perseguições aos seus seguidores. O imperador Constantino, pelo contrário, aceitou o Cristianismo, convertendo-se ele próprio, e deu origem a um "império" cristão.
Com a conversão do império, a Igreja passou a ocupar um lugar privilegiado na sociedade. A partir deste momento, era mais fácil ser-se cristão do que não sê-lo. Constata-se, então, um fenómeno novo: alguns crentes começaram a sentir que os padrões da conduta cristã tinham baixado. Para estes, o único caminho a seguir era o da vida monástica. Só este tipo de vida rigorosa permitia uma total entrega ao Cristianismo.
Este movimento de entrega teve o seu início nos desertos do Egipto com Santo Antão, o eremita, e propagou-se por diversas partes do império, tendo atingido não só as áreas gregas e latinas, mas também a Ásia, nos séculos IV e V. Estes monges devotavam a sua vida à oração, aos serviços religiosos e ao ascetismo.
Do período bizantino ao período medieval tornaram-se a maior força de cristianização dos não-crentes. Eles eram os grandes teólogos, pedagogos e pregadores. A cristandade dos nossos dias muito deve a estes fervorosos Cristãos, que devotaram a sua vida à religião.
Como referenciar este artigo:
Cristianismo: do Sofrimento ao Triunfo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-24].