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20 de abril de 2009
2 de março de 2009
D.2. : Cultura: Arte e Religião: Arte Gótica
Gótico
Introdução
Desvalorizado enquanto criação artística pelos humanistas da Renascença, defensores dum classicismo italianizante que reviam no Gótico a maniera tedesca (germânica) ou a maniera dei goti (dos bárbaros), esta arte medieval foi reabilitada a partir do século XVIII, emergindo, ainda que com algumas hesitações, das "Trevas" a que estava associada.
Esta arte, que se desenvolve na Europa entre os séculos XII e XV, nasceu na Ilha de França (Paris), na Catedral de Sens (1130-1162) e na Abadia de St. Denis (1130-1144), expandindo-se depois a outras regiões. O abade Suger aparece como o grande mentor da renovação estética e ideológica do Gótico, ao realizar uma série de intenções programáticas em St. Denis, imbuídas do enquadramento escolástico e das interpretações neoplatónicas. Este sistema de pensamento faz-se corresponder numa arte onde o Mistério da Luz teoriza e fundamenta a própria concepção espacial, ao serviço duma fé aglutinadora e poderosa. Trata-se da "estética da elevação espiritual" que este estilo eterniza, mas a sua originalidade não se resume aos princípios ideológicos.
Arquitectura
Durante a época gótica, a arquitectura, simbolizada pela grande Catedral, foi a forma artística que conheceu um maior desenvolvimento técnico e formal. Grande parte das criações escultóricas deste período surgem associadas à arquitectura (normalmente de carácter religioso), sendo aplicadas tanto no exterior como no interior dos edifícios. Procurava em simultâneo exaltar e descrer os textos sagrados, todas as esculturas da Catedral cumpriam um vasto programa narrativo que as transformou num verdadeiro "Livro de Pedra". Para além destas peças escultóricas que integravam as fachadas (caso das representações de anjos e de santos das portas, das figuras fantásticas que formavam as gárgulas, das séries de retratos de reis), ou os interiores das naves, como os capitéis esculpidos, os frisos decorados e os retábulos em pedra, foram igualmente desenvolvidas estátuas de escala mais modesta que se tornaram autónomas relativamente aos organismos arquitectónicos.
Estas esculturas, de pequena dimensão e de temática religiosa, destinavam-se ora às igrejas rurais, ora ao culto privado. A partir dos inícios do século XIII, momento que marcou a ascensão de uma estética mais naturalista e menos estilizada, as estátuas representando a Madonna com o menino constituíram um dos temas preferidos. Estas estátuas, tal como grande parte dos edifícios, eram pintadas.
O mosteiro da Batalha, em Portugal, apresenta um dos mais notáveis conjuntos de estatuária gótica integrada em arquitectura, assim como o grande túmulo de D. João I. Dentro deste género são de referir ainda os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, colocados no transepto do mosteiro de Alcobaça, que constituem o mais perfeito conjunto escultórico português da época gótica.
Tecnologicamente, o gótico define-se pela utilização concertada do arco ogival e da abóbada de nervuras cruzadas, que permitiram o arrojo de coberturas mais altas (estreitamento dos pilares) e mais leves. O uso de nervuras diagonais introduz a complexificação dos sistemas de suporte - os pilares adensam-se e concentram elementos distintos (colunelos, colunas, pilastras), recebendo a descarga imposta pelas nervuras. As paredes libertam-se das anteriores abóbadas, adelgaçam-se numa quase desmaterialização, à qual não é estranho o emprego de contrafortes exteriores separados dos panos parietais, aos quais se unem por meio de arcobotantes (arcos de descarga). Verifica-se na arquitectura gótica uma acentuada renovação espacial que nos distancia do modelo basilical, sobretudo pela verticalidade.
Os elementos de suporte complexificam-se e alongam-se e as abóbadas de cruzaria conferem unidade ao espaço. As paredes desmultiplicam-se em andares (galerias, trifório), onde a presença da luz natural contribui para a intensificação da mística religiosa. Tudo é linear, proporcional e uno, numa estreita correspondência de partes. O coro desenvolve-se de maneira por vezes excepcional, dando origem à formação de deambulatórios com as respectivas capelas radiantes, favorecendo a aproximação tangencial do crente com o seu Deus. As paredes são ritmadas por amplos janelões que transfiguram a luz através de elaborados vitrais, de vincado carácter narrativo.
A nível da planta consagra-se a adopção do plano em cruz latina, com três naves de altura e largura desiguais e transepto geralmente com três naves, embora pouco saliente.
As fachadas concentram dois elementos-chave do Gótico - o portal e a rosácea (alude ao sol como símbolo de Cristo e à rosa como símbolo de Maria) -, rivalizando entre si nas dimensões e enriquecimento escultórico.
Artes plásticas e decorativas
Na época gótica abandonou-se a tendência para pintar o interior das igrejas com os grandes ciclos narrativos que caracterizaram o estilo românico, acentuando-se a preferência por decorações parietais com base em tapeçarias ou esculturas. Por esta razão, a pintura sobre tábua ou o grande fresco parietal, aplicado nos salões das residências nobres, tornaram-se nos géneros pictóricos com maior divulgação e desenvolvimento.
As pinturas sobre madeira, geralmente de temática religiosa, eram muitas vezes organizadas em conjuntos, formando polípticos. Destes os mais divulgados foram os trípticos, formados por um painel central quadrado e por dois elementos laterais que se fechavam sobre ele.
Num primeiro momento, os artistas góticos, interessados em criar atmosferas mística e divinas de carácter abstractizante e irreal, não revelavam grande interesse pela representação da sensação de profundidade. Assim, os fundos das imagens eram geralmente dourados, tratados como panos lisos, o que permitia realçar as figuras e as cenas, representadas com grande pormenor.
A partir de finais do século XIII e durante a centúria seguinte, os fundos das pinturas ganham um sentido mais naturalístico. O italiano Giotto di Bondone foi o mais importante pintor do período do Gótico final. As suas pinturas e frescos tornaram-se famosos pelo grande naturalismo na representação das figuras, do claro-escuro, dos suaves modelados das vestes ondulantes e dos elementos vegetais e pela integração das personagens em espaços arquitectónicos de acentuada tridimensionalidade.
O "Políptico da Veneração" (também conhecido por "S. Vicente de Fora"), que retrata, em vários painéis, os diferentes grupos sociais do Portugal medieval, constitui um dos mais importantes conjuntos pictóricos da história da arte portuguesa. A sua autoria, envolvida em grande polémica, é geralmente atribuída ao pintor Nuno Gonçalves, cuja obra alcançou um grande nível artístico.
Dentro do campo das artes decorativas ou aplicadas, a Iluminura conheceu, na época gótica, simultaneamente o seu paroxismo e ocaso, derrotada no século XV com a divulgação da imprensa e a expansão da gravura. De entre os principais centros artísticos de produção e exportação de manuscritos iluminados salientavam-se as ricas cidades comerciais flamengas, como Gant e Bruges. Estes manuscritos, de carácter religioso ou profano, eram realizados por encomenda e continham, para além dos textos, elementos decorativos ou (como por exemplo as caprichosas letras de início de página e as molduras com motivos geométricos ou vegetalistas) narrativos (ilustrações pintadas geralmente em páginas inteiras). Um dos mais interessantes manuscritos iluminados realizados neste período foi o famoso livro de horas do duque de Berry "Les Très Riches Heures" realizado pelos irmãos Limbourg no século XV.
Um género que conhece grande divulgação e desenvolvimento nesta altura é o vitral. Respondia às necessidades de encerrar os enormes vãos abertos nas paredes dos templos criando uma superfície translúcida e luminosa de acentuada imaterialidade que pudesse acentuar o sentido etéreo e místico do próprio espaço arquitectónico. O vitral era formado por pedaços de vidro colorido unidos por fios de chumbo, podendo formar imagens figurativas ou abstractas.
Em Portugal
Em Portugal, a utilização dos novos suportes, das nervuras ou ogivas góticas, surge já em edifícios do século XII, com soluções pontuais de compromisso com o estilo anterior (primitiva abóbada de S. João de Tarouca; Póvoa de Lanhoso). Os exemplos góticos, se exceptuarmos o caso de Alcobaça, da Batalha e da Sé de Évora, são normalmente de pequenas dimensões e recorrem a estruturas românicas (não necessitando portanto de arcobotantes), de exterior marcadamente horizontal. As cabeceiras e capelas-mores foram objecto de um maior enriquecimento e arrojo técnico, sendo normalmente o corpo destituído de abobadamento. A aparente singeleza e modéstia dos templos portugueses é um pouco reflexo da sociedade que albergavam - de facto, a Batalha, dotada das suas agulhas, pináculos e flechas, surge isolada no panorama português.
O primeiro edifício plenamente gótico em Portugal data do século XII (1178). O Mosteiro de Alcobaça, embora seja fruto de uma importação estilística, foi responsável pela introdução pontual da nova linguagem ao contribuir para a formação dos seus interlocutores.
O estilo gótico consolida-se após a crise de 1190-1250, numa cronologia quase paralela ao reinado de D. Afonso III (1245-1279), que assiste à unificação e estabilização da nação após a conquista do Sul - Lisboa, Santarém e seus arredores polarizam as empreitadas. Iniciam-se empreendimentos como S. João de Alporão (Santarém) e Santa Maria do Olival (Tomar), surgindo também estaleiros de referência (Sé de Évora), e os grandes mosteiros mendicantes iniciam obras.
Com D. Dinis (1279-1325), prolongam-se e concluem-se as obras dos ditos conventos e a arquitectura militar é impulsionada. Alcobaça é dotada de um claustro, tal como a Sé lisboeta e, Coimbra, Tavira e Vila do Conde vêem nascer os seus conventos. D. Afonso IV (1325-1357) assiste à edificação da abside da Sé de Lisboa e D. Fernando (1367-1383) faz novamente uma inflexão face à arquitectura militar. É com D. João I (1383-1433) que surge o período final do gótico português - o imenso estaleiro da Batalha que se irá eternizar. Há uma continuação das obras que os tempos de crise forçaram a parar, surgindo mesmo novas iniciativas régias (claustro da Sé do Porto; catedrais da Guarda e de Silves, e Colegiada de Guimarães).
Esta "arte nova", reflexo de uma construção ideológica complexa, afirma-se lentamente, ainda que com soluções de compromisso, tal como a sociedade que a viu nascer se vai libertando do corporativismo feudal. O crescimento urbano dinamiza a vida comunal, a sociedade enriquece e as encomendas proliferam, contribuindo para um enriquecimento dos templos. Estes, imbuídos duma nova vivência religiosa, abrem-se aos crentes na glorificação do mistério cristológico.
Como referenciar este artigo:
Gótico. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-20].
Introdução
Desvalorizado enquanto criação artística pelos humanistas da Renascença, defensores dum classicismo italianizante que reviam no Gótico a maniera tedesca (germânica) ou a maniera dei goti (dos bárbaros), esta arte medieval foi reabilitada a partir do século XVIII, emergindo, ainda que com algumas hesitações, das "Trevas" a que estava associada.
Esta arte, que se desenvolve na Europa entre os séculos XII e XV, nasceu na Ilha de França (Paris), na Catedral de Sens (1130-1162) e na Abadia de St. Denis (1130-1144), expandindo-se depois a outras regiões. O abade Suger aparece como o grande mentor da renovação estética e ideológica do Gótico, ao realizar uma série de intenções programáticas em St. Denis, imbuídas do enquadramento escolástico e das interpretações neoplatónicas. Este sistema de pensamento faz-se corresponder numa arte onde o Mistério da Luz teoriza e fundamenta a própria concepção espacial, ao serviço duma fé aglutinadora e poderosa. Trata-se da "estética da elevação espiritual" que este estilo eterniza, mas a sua originalidade não se resume aos princípios ideológicos.
Arquitectura
Durante a época gótica, a arquitectura, simbolizada pela grande Catedral, foi a forma artística que conheceu um maior desenvolvimento técnico e formal. Grande parte das criações escultóricas deste período surgem associadas à arquitectura (normalmente de carácter religioso), sendo aplicadas tanto no exterior como no interior dos edifícios. Procurava em simultâneo exaltar e descrer os textos sagrados, todas as esculturas da Catedral cumpriam um vasto programa narrativo que as transformou num verdadeiro "Livro de Pedra". Para além destas peças escultóricas que integravam as fachadas (caso das representações de anjos e de santos das portas, das figuras fantásticas que formavam as gárgulas, das séries de retratos de reis), ou os interiores das naves, como os capitéis esculpidos, os frisos decorados e os retábulos em pedra, foram igualmente desenvolvidas estátuas de escala mais modesta que se tornaram autónomas relativamente aos organismos arquitectónicos.
Estas esculturas, de pequena dimensão e de temática religiosa, destinavam-se ora às igrejas rurais, ora ao culto privado. A partir dos inícios do século XIII, momento que marcou a ascensão de uma estética mais naturalista e menos estilizada, as estátuas representando a Madonna com o menino constituíram um dos temas preferidos. Estas estátuas, tal como grande parte dos edifícios, eram pintadas.
O mosteiro da Batalha, em Portugal, apresenta um dos mais notáveis conjuntos de estatuária gótica integrada em arquitectura, assim como o grande túmulo de D. João I. Dentro deste género são de referir ainda os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, colocados no transepto do mosteiro de Alcobaça, que constituem o mais perfeito conjunto escultórico português da época gótica.
Tecnologicamente, o gótico define-se pela utilização concertada do arco ogival e da abóbada de nervuras cruzadas, que permitiram o arrojo de coberturas mais altas (estreitamento dos pilares) e mais leves. O uso de nervuras diagonais introduz a complexificação dos sistemas de suporte - os pilares adensam-se e concentram elementos distintos (colunelos, colunas, pilastras), recebendo a descarga imposta pelas nervuras. As paredes libertam-se das anteriores abóbadas, adelgaçam-se numa quase desmaterialização, à qual não é estranho o emprego de contrafortes exteriores separados dos panos parietais, aos quais se unem por meio de arcobotantes (arcos de descarga). Verifica-se na arquitectura gótica uma acentuada renovação espacial que nos distancia do modelo basilical, sobretudo pela verticalidade.
Os elementos de suporte complexificam-se e alongam-se e as abóbadas de cruzaria conferem unidade ao espaço. As paredes desmultiplicam-se em andares (galerias, trifório), onde a presença da luz natural contribui para a intensificação da mística religiosa. Tudo é linear, proporcional e uno, numa estreita correspondência de partes. O coro desenvolve-se de maneira por vezes excepcional, dando origem à formação de deambulatórios com as respectivas capelas radiantes, favorecendo a aproximação tangencial do crente com o seu Deus. As paredes são ritmadas por amplos janelões que transfiguram a luz através de elaborados vitrais, de vincado carácter narrativo.
A nível da planta consagra-se a adopção do plano em cruz latina, com três naves de altura e largura desiguais e transepto geralmente com três naves, embora pouco saliente.
As fachadas concentram dois elementos-chave do Gótico - o portal e a rosácea (alude ao sol como símbolo de Cristo e à rosa como símbolo de Maria) -, rivalizando entre si nas dimensões e enriquecimento escultórico.
Artes plásticas e decorativas
Na época gótica abandonou-se a tendência para pintar o interior das igrejas com os grandes ciclos narrativos que caracterizaram o estilo românico, acentuando-se a preferência por decorações parietais com base em tapeçarias ou esculturas. Por esta razão, a pintura sobre tábua ou o grande fresco parietal, aplicado nos salões das residências nobres, tornaram-se nos géneros pictóricos com maior divulgação e desenvolvimento.
As pinturas sobre madeira, geralmente de temática religiosa, eram muitas vezes organizadas em conjuntos, formando polípticos. Destes os mais divulgados foram os trípticos, formados por um painel central quadrado e por dois elementos laterais que se fechavam sobre ele.
Num primeiro momento, os artistas góticos, interessados em criar atmosferas mística e divinas de carácter abstractizante e irreal, não revelavam grande interesse pela representação da sensação de profundidade. Assim, os fundos das imagens eram geralmente dourados, tratados como panos lisos, o que permitia realçar as figuras e as cenas, representadas com grande pormenor.
A partir de finais do século XIII e durante a centúria seguinte, os fundos das pinturas ganham um sentido mais naturalístico. O italiano Giotto di Bondone foi o mais importante pintor do período do Gótico final. As suas pinturas e frescos tornaram-se famosos pelo grande naturalismo na representação das figuras, do claro-escuro, dos suaves modelados das vestes ondulantes e dos elementos vegetais e pela integração das personagens em espaços arquitectónicos de acentuada tridimensionalidade.
O "Políptico da Veneração" (também conhecido por "S. Vicente de Fora"), que retrata, em vários painéis, os diferentes grupos sociais do Portugal medieval, constitui um dos mais importantes conjuntos pictóricos da história da arte portuguesa. A sua autoria, envolvida em grande polémica, é geralmente atribuída ao pintor Nuno Gonçalves, cuja obra alcançou um grande nível artístico.
Dentro do campo das artes decorativas ou aplicadas, a Iluminura conheceu, na época gótica, simultaneamente o seu paroxismo e ocaso, derrotada no século XV com a divulgação da imprensa e a expansão da gravura. De entre os principais centros artísticos de produção e exportação de manuscritos iluminados salientavam-se as ricas cidades comerciais flamengas, como Gant e Bruges. Estes manuscritos, de carácter religioso ou profano, eram realizados por encomenda e continham, para além dos textos, elementos decorativos ou (como por exemplo as caprichosas letras de início de página e as molduras com motivos geométricos ou vegetalistas) narrativos (ilustrações pintadas geralmente em páginas inteiras). Um dos mais interessantes manuscritos iluminados realizados neste período foi o famoso livro de horas do duque de Berry "Les Très Riches Heures" realizado pelos irmãos Limbourg no século XV.
Um género que conhece grande divulgação e desenvolvimento nesta altura é o vitral. Respondia às necessidades de encerrar os enormes vãos abertos nas paredes dos templos criando uma superfície translúcida e luminosa de acentuada imaterialidade que pudesse acentuar o sentido etéreo e místico do próprio espaço arquitectónico. O vitral era formado por pedaços de vidro colorido unidos por fios de chumbo, podendo formar imagens figurativas ou abstractas.
Em Portugal
Em Portugal, a utilização dos novos suportes, das nervuras ou ogivas góticas, surge já em edifícios do século XII, com soluções pontuais de compromisso com o estilo anterior (primitiva abóbada de S. João de Tarouca; Póvoa de Lanhoso). Os exemplos góticos, se exceptuarmos o caso de Alcobaça, da Batalha e da Sé de Évora, são normalmente de pequenas dimensões e recorrem a estruturas românicas (não necessitando portanto de arcobotantes), de exterior marcadamente horizontal. As cabeceiras e capelas-mores foram objecto de um maior enriquecimento e arrojo técnico, sendo normalmente o corpo destituído de abobadamento. A aparente singeleza e modéstia dos templos portugueses é um pouco reflexo da sociedade que albergavam - de facto, a Batalha, dotada das suas agulhas, pináculos e flechas, surge isolada no panorama português.
O primeiro edifício plenamente gótico em Portugal data do século XII (1178). O Mosteiro de Alcobaça, embora seja fruto de uma importação estilística, foi responsável pela introdução pontual da nova linguagem ao contribuir para a formação dos seus interlocutores.
O estilo gótico consolida-se após a crise de 1190-1250, numa cronologia quase paralela ao reinado de D. Afonso III (1245-1279), que assiste à unificação e estabilização da nação após a conquista do Sul - Lisboa, Santarém e seus arredores polarizam as empreitadas. Iniciam-se empreendimentos como S. João de Alporão (Santarém) e Santa Maria do Olival (Tomar), surgindo também estaleiros de referência (Sé de Évora), e os grandes mosteiros mendicantes iniciam obras.
Com D. Dinis (1279-1325), prolongam-se e concluem-se as obras dos ditos conventos e a arquitectura militar é impulsionada. Alcobaça é dotada de um claustro, tal como a Sé lisboeta e, Coimbra, Tavira e Vila do Conde vêem nascer os seus conventos. D. Afonso IV (1325-1357) assiste à edificação da abside da Sé de Lisboa e D. Fernando (1367-1383) faz novamente uma inflexão face à arquitectura militar. É com D. João I (1383-1433) que surge o período final do gótico português - o imenso estaleiro da Batalha que se irá eternizar. Há uma continuação das obras que os tempos de crise forçaram a parar, surgindo mesmo novas iniciativas régias (claustro da Sé do Porto; catedrais da Guarda e de Silves, e Colegiada de Guimarães).
Esta "arte nova", reflexo de uma construção ideológica complexa, afirma-se lentamente, ainda que com soluções de compromisso, tal como a sociedade que a viu nascer se vai libertando do corporativismo feudal. O crescimento urbano dinamiza a vida comunal, a sociedade enriquece e as encomendas proliferam, contribuindo para um enriquecimento dos templos. Estes, imbuídos duma nova vivência religiosa, abrem-se aos crentes na glorificação do mistério cristológico.
Como referenciar este artigo:
Gótico. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-20].
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ARTE,
GÓTICO,
HISTÓRIA,
IDADE MÉDIA
D.2. : Cultura: Arte e Religião: Gótico
A ARTE GÓTICA
Surge em França, no século XII. A Abadia de S. Dinis, próximo de Paris, é considerada como a primeira construção gótica e espalhou-se por toda a Europa entre o século XII e XV.
Características da Arquitectura gótica:
- VERTICALIDADE: construções atingem grandes alturas e terminam em PINÁCULOS
- ARCOS QUEBRADOS: nos portais e nas janelas.
-ABÓBADA DE CRUZAMENTO DE OGIVAS: de estrutura leve.
-ARCOBOTANTES-COLUNAS MAIS FINAS-ROSÁCEAS COM VITRAIS: que permite iluminar melhor o interior.
-APLICAÇÃO DE ESCULTURAS NAS FACHADAS: Sobretudo nos portais esculpidos com maior realismo.
O estilo gótico produziu grandiosas catedrais, assim como castelos e edíficios civis.
A ESCULTURA GÓTICA era aplicada na decoração dos edíficios e de túmulos.
A PINTURA GÓTICA, desenvolveu-se sobretudo na Iluminura e em frescos pintados nas paredes e vitrais.
O GÓTICO EM PORTUGAL
As principais construções:
-Sé Catedral de Évora
-Igreja do Mosteiro de Alcobaça
-Mosteiro da Batalha
-Igreja da Graça: Santarém
-Igreja de S. Francisco: Porto
-Sé da Guarda
Escultura gótica em Portugal.
-Túmulos de D.Pedro I e D. Inês de Castro.
Surge em França, no século XII. A Abadia de S. Dinis, próximo de Paris, é considerada como a primeira construção gótica e espalhou-se por toda a Europa entre o século XII e XV.
Características da Arquitectura gótica:
- VERTICALIDADE: construções atingem grandes alturas e terminam em PINÁCULOS
- ARCOS QUEBRADOS: nos portais e nas janelas.
-ABÓBADA DE CRUZAMENTO DE OGIVAS: de estrutura leve.
-ARCOBOTANTES-COLUNAS MAIS FINAS-ROSÁCEAS COM VITRAIS: que permite iluminar melhor o interior.
-APLICAÇÃO DE ESCULTURAS NAS FACHADAS: Sobretudo nos portais esculpidos com maior realismo.
O estilo gótico produziu grandiosas catedrais, assim como castelos e edíficios civis.
A ESCULTURA GÓTICA era aplicada na decoração dos edíficios e de túmulos.
A PINTURA GÓTICA, desenvolveu-se sobretudo na Iluminura e em frescos pintados nas paredes e vitrais.
O GÓTICO EM PORTUGAL
As principais construções:
-Sé Catedral de Évora
-Igreja do Mosteiro de Alcobaça
-Mosteiro da Batalha
-Igreja da Graça: Santarém
-Igreja de S. Francisco: Porto
-Sé da Guarda
Escultura gótica em Portugal.
-Túmulos de D.Pedro I e D. Inês de Castro.
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IDADE MÉDIA
D.2. : Cultura: Arte e Religião: Arte românica
Românico
Introdução
O Românico é o primeiro estilo artístico internacional da Cristandade Ocidental, um estilo original com diversas escolas regionais, congregando elementos romanos, germânicos, bizantinos, islâmicos e arménios.
No início da Idade Média, a Europa Ocidental fortaleceu-se e definiu uma civilização muito própria, numa época de grandes transformações motivadas por três factores: a estabilização dos povos Bárbaros, a sua admissão e miscigenação nas comunidades cristãs, possíveis devido à diminuição das incursões guerreiras e a fixação dos Húngaros na região Leste da Alemanha; o recuo dos Árabes, com a fragmentação do califado de Córdova depois da morte de Almançor; e o crescimento de uma civilização urbana e mercantil, a par da permanência de uma civilização feudal e monástica.
A renovação material, proporcionada pelo renascimento do comércio e do artesanato, do uso da moeda, e pelo desenvolvimento da agricultura para responder às necessidades de uma população em crescimento, reflectiu-se numa renovação material, cultural e religiosa. Esta época é mais favorável à produção artística. Dado o papel preponderante da Igreja, é privilegiada a construção de edifícios religiosos. Nesta sociedade, predominantemente cristã, assumem-se como grandes encomendadores os institutos religiosos, particularmente no âmbito do monaquismo. Os mosteiros rurais beneditinos de Cluny e dos monges brancos de Cister assumem um papel importante num
período em que o domínio do homem sobre a natureza era ainda pouco expressivo. Para além de se afirmarem como os intermediários entre Deus e o Homem, tornaram-se importantes unidades em termos económicos, intelectuais e religiosos.
Este é o tempo das grande peregrinações e das Cruzadas, da reorganização dos bispados e da expansão das ordens monacais no Ocidente.
Arquitectura
O primeiro momento da evolução da arquitectura românica regista-se na Itália (de onde irradia para toda a Cristandade), onde mestres canteiros, organizados em corpos itinerantes, erigem igrejas caracterizadas por uma grande simplicidade, com paredes em aparelho pequeno que dão a ilusão de serem feitas de tijolo, cobertas de tectos de madeira (que posteriormente darão lugar a abóbadas de berço) e cujas naves se apresentam divididas por colunas ou pilares, despidas de ornamentação plástica e com campanários no flanco do edifício.
Em França irá surgir uma outra manifestação da mesma corrente arquitectónica, na qual são mais notórias as influências germânicas (da Alemanha dos Otões, especialmente).
A abadia-mãe de Cluny é o exemplo paradigmático de um tipo de arquitectura monástica, muito expressiva, que traz uma nova estrutura e uma nova estética. Cluny, o paradigma da arquitectura monástica do século XII, foi iniciada em 1088 pelo abade D. Hugo e dedicada a S. Pedro, "O Pescador de Almas". Note-se que a abadia existia já desde o século X, mas sucederam ampliações e reconstruções. Em 1088, parte-se para a tipologia românica própria de Cluny.
No nosso país, a arquitectura românica de Cluny chegou a pequenas igrejas de mosteiros do Norte de Portugal, normalmente de uma só nave e de acentuado carácter defensivo. É que, para além da função religiosa, a Igreja era, por vezes, usada como fortaleza numa região sujeita às razias do adversário árabe, localizado no Sul da Península. Os contrafortes e as janelas em forma de seteiras atestam essa função defensiva.
A arquitectura cisterciense, por seu turno, foi muito marcada pela espiritualidade do rigor e da simplicidade professadas pelo seu maior mentor, S. Bernardo, quarto abade geral. Os seus edifícios estão filiados na casa-mãe, a qual enviava, por norma, um abade e doze monges para cada nova fundação. A primeira fundação documentada em território português é a abadia de S. João de Tarouca em 1140-1144, filiada em Claraval, seguida pela abadia de Santa Maria de Salzedas, também na região de Tarouca.
Os edifícios deste estilo românico denotam uma adaptação à liturgia romana, mais simples, mas ao mesmo tempo mais encenada, e são vestidos de esculturas concentradas nas portas, símbolo das portas do céu, e nas janelas, por onde entra a luz divina, e muitas vezes embelezadas por pinturas a fresco nos seus panos.
Em Portugal, este estilo coincidiu com a reorganização do território, dividido em paróquias, e com o nascimento e afirmação da nossa identidade nacional.
O estilo românico apresenta algumas características básicas comuns a todos os núcleos de produção deste tipo de arte. No entanto, este fio condutor não impede que se formem escolas nacionais e até regionais, que lhe conferem uma das suas especificidades.
Em França, as igrejas, normalmente de dupla torre, apresentam abóbadas de berço e capelas radiantes. Podemos distinguir as seguintes escolas: da Provença; do Languedoc; da Aquitânia; da Borgonha (que teve grande influência em Portugal) e da Normandia. Na Itália, o românico é diverso e original, e nele coexistem as escolas da Lombardia, de influência germânica, a de Pisa, simbolizada pela sua catedral, e a da Toscânia, cheia de cor devido aos jogos de mármores. Na Alemanha, as igrejas são monumentais e de planta romana como a catedral de Spire. O românico da Grã-Bretanha está, nitidamente, relacionado com o da Normandia, depois da conquista de Guilherme em 1066; o da Escandinávia está sintetizado, por exemplo, na catedral sueca de Lund com alguma influência germânica.
A planta-padrão de uma igreja românica é uma planta do tipo basilical, composta, no entanto, por três ou cinco naves para servir a nova liturgia. Apresenta um coro entre o transepto e a abside e uma charola ou deambulatório, isto é, uma galeria de formato semicircular em volta da capela-mor. Este elemento arquitectónico foi adicionado para integrar as igrejas de peregrinação, nas quais os crentes podiam visitar as capelas absidiais sem interromper o serviço religioso. Em alternativa podiam-se construir, em volta da ousia ou do transepto, pequenas absides ou absidíolos.
A igreja típica seria abobadada, dotada de tribunas ou trifórios, ritmada por vãos e janelas estreitos para criar uma atmosfera mística, e as suas paredes seriam suportadas por contrafortes.
Em Portugal, a arquitectura românica é rica em formas ou influência local, apesar de se notar uma forte influência francesa e um baixo nível técnico, predominando os edifícios de apenas uma nave, de aspecto maciço e compacto. No país podem distinguir-se as escolas do Alto Minho, da área de Braga, da região do Porto e de Coimbra. Nos exemplos mais significativos da arte românica encontram-se a Sé de Braga, de todas a mais antiga (finais do século XI), a Sé do Porto e a de Coimbra.
No Norte do país, o estilo românico teve uma longa permanência, prolongando-se até aos séculos XIII e, por vezes, XIV, numa altura em que na Europa já se construía ao estilo gótico. Aqui, o material utilizado foi basicamente o granito. Esta longa permanência tem a ver com a própria história desta região. No Centro e no Sul do país este fenómeno foi mais efémero. Aí, a conjuntura política e económica era distinta, e a confluência de influências, nomeadamente a muçulmana e a moçárabe, ditava uma arte bastante diferente da nortenha. Usava-se predominantemente a rocha calcária.
Artes Plásticas e Decorativas
Arte fundamentalmente religiosa, indissociável da religião cristã, o Românico alarga-se igualmente à pintura e à escultura, que em comum têm a subordinação a um propósito edificante e se colocam ao serviço de uma visão ortodoxa do transcendente. Arte sem a pretensão de figurar a realidade de forma objectiva, antes se pretendendo simbólica, procura levar o crente a meditar sobre o seu lugar e o seu destino.
A pintura românica é antes de mais pedagógica, encontrando-se ao serviço da religião, transmitindo os ensinamentos e os princípios fundamentais da doutrina cristã, visíveis na decoração arquitectónica articulada com a componente escultórica. Tenta transmitir uma mensagem mais amena do que a transmitida nas esculturas dos portais que representam a salvação ou a condenação das almas. Os fiéis são advertidos, pelas esculturas, das punições a que estarão sujeitos se não se redimirem dos seus pecados.
Muito provavelmente, as paredes das igrejas estariam revestidas de cores vivas (ao contrário do que muitos restauros enganadores poderiam levar a pensar), a fim de suavizar a pesada atmosfera destes templos. Infelizmente, no nosso país, são muito escassos os exemplares que apresentam pintura.
Os temas mais comuns nas pinturas a fresco, concentrados nas absides e nas paredes superiores da nave central, pretendem representar os princípios da religião Cristã: a Trindade, a Virgem Maria, a vida dos santos e temas apocalípticos, como o Juízo Final, normalmente colocados junto das saídas. Há também alguns elementos iconográficos simbólicos, que acompanham estes temas. É usual encontrarmos a representação da Jerusalém celeste, dos trabalhos, bem como a simbólica dos temas da tradição clássica como a sereia, o pavão real ou a árvore da vida.
Trata-se de uma pintura mental ou intelectualizada, com figuras lineares e sem perspectiva, que comungam com elementos da estética paleocristã, da bizantina e da pré-românica.
A iluminura, a arte de decorar textos sagrados utilizando a pena ou o pincel sobre um suporte de papel ou de papiro recorrendo a miniaturas e à utilização de prata, ouro e cores, surgiu no Egipto no tempo dos faraós. Foi depois transmitida aos Gregos e Romanos, que por sua vez legaram esta técnica aos Bizantinos, estendendo-se a toda a Cristandade no século IV. Na Idade Média, a técnica da iluminura foi muito utilizada na decoração dos livros de teologia e dos livros de culto produzidos nas comunidades monásticas.
A escultura românica é arquitectónica porque, tal como a pintura, está subordinada à arquitectura, resumindo-se a apontamentos decorativos concentrados nos tímpanos, nas arcadas e nos capitéis dos portais e noutros vazamentos. Ela transmite as novas concepções do corpo e da estética da representação. A sua iconografia é pedagógica, pretendendo transmitir a mensagem cristã a uma população maioritariamente analfabeta. Os motivos glosados são essencialmente vegetalistas, geométricos, antropomórficos e zoomórficos. Nas representações esculpidas abundam cenas e passagens das Escrituras Sagradas como o Juízo Final, o Deus Castigador, o Tetramorfo e Cristo em Majestade.
Tanto a escultura como a pintura do período românico nascem de esquemas mentais, mas a escultura parte daí para transfigurar o real, provocando simultaneamente sentimentos de admiração e de familiaridade.
Como referenciar este artigo:
Românico. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009
Introdução
O Românico é o primeiro estilo artístico internacional da Cristandade Ocidental, um estilo original com diversas escolas regionais, congregando elementos romanos, germânicos, bizantinos, islâmicos e arménios.
No início da Idade Média, a Europa Ocidental fortaleceu-se e definiu uma civilização muito própria, numa época de grandes transformações motivadas por três factores: a estabilização dos povos Bárbaros, a sua admissão e miscigenação nas comunidades cristãs, possíveis devido à diminuição das incursões guerreiras e a fixação dos Húngaros na região Leste da Alemanha; o recuo dos Árabes, com a fragmentação do califado de Córdova depois da morte de Almançor; e o crescimento de uma civilização urbana e mercantil, a par da permanência de uma civilização feudal e monástica.
A renovação material, proporcionada pelo renascimento do comércio e do artesanato, do uso da moeda, e pelo desenvolvimento da agricultura para responder às necessidades de uma população em crescimento, reflectiu-se numa renovação material, cultural e religiosa. Esta época é mais favorável à produção artística. Dado o papel preponderante da Igreja, é privilegiada a construção de edifícios religiosos. Nesta sociedade, predominantemente cristã, assumem-se como grandes encomendadores os institutos religiosos, particularmente no âmbito do monaquismo. Os mosteiros rurais beneditinos de Cluny e dos monges brancos de Cister assumem um papel importante num
período em que o domínio do homem sobre a natureza era ainda pouco expressivo. Para além de se afirmarem como os intermediários entre Deus e o Homem, tornaram-se importantes unidades em termos económicos, intelectuais e religiosos.
Este é o tempo das grande peregrinações e das Cruzadas, da reorganização dos bispados e da expansão das ordens monacais no Ocidente.
Arquitectura
O primeiro momento da evolução da arquitectura românica regista-se na Itália (de onde irradia para toda a Cristandade), onde mestres canteiros, organizados em corpos itinerantes, erigem igrejas caracterizadas por uma grande simplicidade, com paredes em aparelho pequeno que dão a ilusão de serem feitas de tijolo, cobertas de tectos de madeira (que posteriormente darão lugar a abóbadas de berço) e cujas naves se apresentam divididas por colunas ou pilares, despidas de ornamentação plástica e com campanários no flanco do edifício.
Em França irá surgir uma outra manifestação da mesma corrente arquitectónica, na qual são mais notórias as influências germânicas (da Alemanha dos Otões, especialmente).
A abadia-mãe de Cluny é o exemplo paradigmático de um tipo de arquitectura monástica, muito expressiva, que traz uma nova estrutura e uma nova estética. Cluny, o paradigma da arquitectura monástica do século XII, foi iniciada em 1088 pelo abade D. Hugo e dedicada a S. Pedro, "O Pescador de Almas". Note-se que a abadia existia já desde o século X, mas sucederam ampliações e reconstruções. Em 1088, parte-se para a tipologia românica própria de Cluny.
No nosso país, a arquitectura românica de Cluny chegou a pequenas igrejas de mosteiros do Norte de Portugal, normalmente de uma só nave e de acentuado carácter defensivo. É que, para além da função religiosa, a Igreja era, por vezes, usada como fortaleza numa região sujeita às razias do adversário árabe, localizado no Sul da Península. Os contrafortes e as janelas em forma de seteiras atestam essa função defensiva.
A arquitectura cisterciense, por seu turno, foi muito marcada pela espiritualidade do rigor e da simplicidade professadas pelo seu maior mentor, S. Bernardo, quarto abade geral. Os seus edifícios estão filiados na casa-mãe, a qual enviava, por norma, um abade e doze monges para cada nova fundação. A primeira fundação documentada em território português é a abadia de S. João de Tarouca em 1140-1144, filiada em Claraval, seguida pela abadia de Santa Maria de Salzedas, também na região de Tarouca.
Os edifícios deste estilo românico denotam uma adaptação à liturgia romana, mais simples, mas ao mesmo tempo mais encenada, e são vestidos de esculturas concentradas nas portas, símbolo das portas do céu, e nas janelas, por onde entra a luz divina, e muitas vezes embelezadas por pinturas a fresco nos seus panos.
Em Portugal, este estilo coincidiu com a reorganização do território, dividido em paróquias, e com o nascimento e afirmação da nossa identidade nacional.
O estilo românico apresenta algumas características básicas comuns a todos os núcleos de produção deste tipo de arte. No entanto, este fio condutor não impede que se formem escolas nacionais e até regionais, que lhe conferem uma das suas especificidades.
Em França, as igrejas, normalmente de dupla torre, apresentam abóbadas de berço e capelas radiantes. Podemos distinguir as seguintes escolas: da Provença; do Languedoc; da Aquitânia; da Borgonha (que teve grande influência em Portugal) e da Normandia. Na Itália, o românico é diverso e original, e nele coexistem as escolas da Lombardia, de influência germânica, a de Pisa, simbolizada pela sua catedral, e a da Toscânia, cheia de cor devido aos jogos de mármores. Na Alemanha, as igrejas são monumentais e de planta romana como a catedral de Spire. O românico da Grã-Bretanha está, nitidamente, relacionado com o da Normandia, depois da conquista de Guilherme em 1066; o da Escandinávia está sintetizado, por exemplo, na catedral sueca de Lund com alguma influência germânica.
A planta-padrão de uma igreja românica é uma planta do tipo basilical, composta, no entanto, por três ou cinco naves para servir a nova liturgia. Apresenta um coro entre o transepto e a abside e uma charola ou deambulatório, isto é, uma galeria de formato semicircular em volta da capela-mor. Este elemento arquitectónico foi adicionado para integrar as igrejas de peregrinação, nas quais os crentes podiam visitar as capelas absidiais sem interromper o serviço religioso. Em alternativa podiam-se construir, em volta da ousia ou do transepto, pequenas absides ou absidíolos.
A igreja típica seria abobadada, dotada de tribunas ou trifórios, ritmada por vãos e janelas estreitos para criar uma atmosfera mística, e as suas paredes seriam suportadas por contrafortes.
Em Portugal, a arquitectura românica é rica em formas ou influência local, apesar de se notar uma forte influência francesa e um baixo nível técnico, predominando os edifícios de apenas uma nave, de aspecto maciço e compacto. No país podem distinguir-se as escolas do Alto Minho, da área de Braga, da região do Porto e de Coimbra. Nos exemplos mais significativos da arte românica encontram-se a Sé de Braga, de todas a mais antiga (finais do século XI), a Sé do Porto e a de Coimbra.
No Norte do país, o estilo românico teve uma longa permanência, prolongando-se até aos séculos XIII e, por vezes, XIV, numa altura em que na Europa já se construía ao estilo gótico. Aqui, o material utilizado foi basicamente o granito. Esta longa permanência tem a ver com a própria história desta região. No Centro e no Sul do país este fenómeno foi mais efémero. Aí, a conjuntura política e económica era distinta, e a confluência de influências, nomeadamente a muçulmana e a moçárabe, ditava uma arte bastante diferente da nortenha. Usava-se predominantemente a rocha calcária.
Artes Plásticas e Decorativas
Arte fundamentalmente religiosa, indissociável da religião cristã, o Românico alarga-se igualmente à pintura e à escultura, que em comum têm a subordinação a um propósito edificante e se colocam ao serviço de uma visão ortodoxa do transcendente. Arte sem a pretensão de figurar a realidade de forma objectiva, antes se pretendendo simbólica, procura levar o crente a meditar sobre o seu lugar e o seu destino.
A pintura românica é antes de mais pedagógica, encontrando-se ao serviço da religião, transmitindo os ensinamentos e os princípios fundamentais da doutrina cristã, visíveis na decoração arquitectónica articulada com a componente escultórica. Tenta transmitir uma mensagem mais amena do que a transmitida nas esculturas dos portais que representam a salvação ou a condenação das almas. Os fiéis são advertidos, pelas esculturas, das punições a que estarão sujeitos se não se redimirem dos seus pecados.
Muito provavelmente, as paredes das igrejas estariam revestidas de cores vivas (ao contrário do que muitos restauros enganadores poderiam levar a pensar), a fim de suavizar a pesada atmosfera destes templos. Infelizmente, no nosso país, são muito escassos os exemplares que apresentam pintura.
Os temas mais comuns nas pinturas a fresco, concentrados nas absides e nas paredes superiores da nave central, pretendem representar os princípios da religião Cristã: a Trindade, a Virgem Maria, a vida dos santos e temas apocalípticos, como o Juízo Final, normalmente colocados junto das saídas. Há também alguns elementos iconográficos simbólicos, que acompanham estes temas. É usual encontrarmos a representação da Jerusalém celeste, dos trabalhos, bem como a simbólica dos temas da tradição clássica como a sereia, o pavão real ou a árvore da vida.
Trata-se de uma pintura mental ou intelectualizada, com figuras lineares e sem perspectiva, que comungam com elementos da estética paleocristã, da bizantina e da pré-românica.
A iluminura, a arte de decorar textos sagrados utilizando a pena ou o pincel sobre um suporte de papel ou de papiro recorrendo a miniaturas e à utilização de prata, ouro e cores, surgiu no Egipto no tempo dos faraós. Foi depois transmitida aos Gregos e Romanos, que por sua vez legaram esta técnica aos Bizantinos, estendendo-se a toda a Cristandade no século IV. Na Idade Média, a técnica da iluminura foi muito utilizada na decoração dos livros de teologia e dos livros de culto produzidos nas comunidades monásticas.
A escultura românica é arquitectónica porque, tal como a pintura, está subordinada à arquitectura, resumindo-se a apontamentos decorativos concentrados nos tímpanos, nas arcadas e nos capitéis dos portais e noutros vazamentos. Ela transmite as novas concepções do corpo e da estética da representação. A sua iconografia é pedagógica, pretendendo transmitir a mensagem cristã a uma população maioritariamente analfabeta. Os motivos glosados são essencialmente vegetalistas, geométricos, antropomórficos e zoomórficos. Nas representações esculpidas abundam cenas e passagens das Escrituras Sagradas como o Juízo Final, o Deus Castigador, o Tetramorfo e Cristo em Majestade.
Tanto a escultura como a pintura do período românico nascem de esquemas mentais, mas a escultura parte daí para transfigurar o real, provocando simultaneamente sentimentos de admiração e de familiaridade.
Como referenciar este artigo:
Românico. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009
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HISTÓRIA,
IDADE MÉDIA,
ROMÂNICO
D.2. : Cultura: Arte e Religião: Românico
A ARTE ROMÂNICA
Entre os séculos XI e XII surgiu e espalhou-se por toda a Europa.
Os edíficios românicos tinham um aspecto austero e robusto, assemelhando-se a fortalezas.
Este aspecto defensivo, liga-se ao facto da Europa ter atrevassado um período de invasões, marcado pela guerra e pela insegurança.
CARACTERÍSTICAS DA ARTE ROMÂNICA:
- Utilização de elementos de influência romana
- ARCO DE VOLTA PERFEITA-ABÓBADA DE BERÇO-PLANTA EM CRUZ LATINA-JANELAS PEQUENAS: o que faz que os interiores tenham pouca luminosidade
-PAREDES GROSSAS-CONTRAFORTES: no exterior para suportar o peso das abóbadas
-TÍMPANOS,ARQUIVOLTAS,COLUNAS DECORADOS COM MOTIVOS GEOMÉTRICOS OU COM CENAS ´BÍBLICAS (PORTAL).
As construções eram verdadeiras fortalezas, serviam de refúgio ás populações. Os interiores das igrejas eram pouco iluminados, o que reflecte o ideal de religiosidade da época, que era marcado pelo silêncio e pela meditação.
O ROMÂNICO EM PORTUGAL
-DOMUS MUNICIPALIS: Bragança
-Castelos
-IGREJA de S.PEDRO DE RATES
-SÉ VELHA DE COIMBRA
Entre os séculos XI e XII surgiu e espalhou-se por toda a Europa.
Os edíficios românicos tinham um aspecto austero e robusto, assemelhando-se a fortalezas.
Este aspecto defensivo, liga-se ao facto da Europa ter atrevassado um período de invasões, marcado pela guerra e pela insegurança.
CARACTERÍSTICAS DA ARTE ROMÂNICA:
- Utilização de elementos de influência romana
- ARCO DE VOLTA PERFEITA-ABÓBADA DE BERÇO-PLANTA EM CRUZ LATINA-JANELAS PEQUENAS: o que faz que os interiores tenham pouca luminosidade
-PAREDES GROSSAS-CONTRAFORTES: no exterior para suportar o peso das abóbadas
-TÍMPANOS,ARQUIVOLTAS,COLUNAS DECORADOS COM MOTIVOS GEOMÉTRICOS OU COM CENAS ´BÍBLICAS (PORTAL).
As construções eram verdadeiras fortalezas, serviam de refúgio ás populações. Os interiores das igrejas eram pouco iluminados, o que reflecte o ideal de religiosidade da época, que era marcado pelo silêncio e pela meditação.
O ROMÂNICO EM PORTUGAL
-DOMUS MUNICIPALIS: Bragança
-Castelos
-IGREJA de S.PEDRO DE RATES
-SÉ VELHA DE COIMBRA
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ROMÂNICO
15 de fevereiro de 2009
B.2. O mundo Romano no apogeu do Império: Arte
A arte romana
Inspirada no modelo grego, a arte romana incorporou as formas e as técnicas de outras culturas do Mediterrâneo.
Museu de Arte Romana em Mérida
Roma destacou-se na arquitectura com grandes edifícios privados e públicos. Entre os privados, incluem-se as casas e as residências colectivas. Os públicos dividem-se em religiosos (templos), administrativos e comerciais (basílicas) e lúdicos (teatro, anfiteatro e circo). O espírito prático de Roma reflecte-se no urbanismo e nas grandes obras de engenharia, como estradas e aquedutos.
Inspirada no modelo grego, a arte romana incorporou as formas e as técnicas de outras culturas do Mediterrâneo.
Museu de Arte Romana em Mérida
Roma destacou-se na arquitectura com grandes edifícios privados e públicos. Entre os privados, incluem-se as casas e as residências colectivas. Os públicos dividem-se em religiosos (templos), administrativos e comerciais (basílicas) e lúdicos (teatro, anfiteatro e circo). O espírito prático de Roma reflecte-se no urbanismo e nas grandes obras de engenharia, como estradas e aquedutos.
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HISTÓRIA,
IDADE ANTIGA
4 de outubro de 2008
A1: AS SOCIEDADES RECOLECTORAS E AS PRIMEIRAS SOCIEDADES PRODUTORAS
MEGALITISMO
Período de tempo no fim do neolítico que se desenvolveu principalmente na Europa que se caracteriza por grandes construções de megalitos
Construções formadas por grandes blocos de pedra.
Período de tempo no fim do neolítico que se desenvolveu principalmente na Europa que se caracteriza por grandes construções de megalitos
Construções formadas por grandes blocos de pedra.
-MENIRES: Grandes pedras isoladas colocadas ao alto; função funerária e culto ao deuses solares
-ALINHAMENTOS: Grupos de menires colocados em linha ou em filas paralelas; função de culto da Natureza.
-CROMELEQUES: Conjunto de menires colocados em círculo.
-ANTAS ou DÓLMENES: Construções com três ou mais pedras colocadas ao alto e cobertas por grandes lages; função funerária
CULTOS AGRÁRIOS
-ALINHAMENTOS: Grupos de menires colocados em linha ou em filas paralelas; função de culto da Natureza.
-CROMELEQUES: Conjunto de menires colocados em círculo.
-ANTAS ou DÓLMENES: Construções com três ou mais pedras colocadas ao alto e cobertas por grandes lages; função funerária
Deusa-Mãe: Deusa do Neolítico simboliza a Terra, a Fertiliade da mesma a Fecundidade.
Prestam culto às forças da Natureza: Sol, água etc.
Estatuetas, amuletos.
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NEOLÍTICO,
PRÉ-HISTÓRIA,
RELIGIÃO
A1: AS SOCIEDADES RECOLECTORAS E AS PRIMEIRAS SOCIEDADES PRODUTORAS
ARTE NO PALEOLÍTICO
Existem dois tipos de arte:
1-Arte móvel (pequenas estatuetas: Vénus : Simboliza a fecundidade e fertilidade etc)
Existem dois tipos de arte:
1-Arte móvel (pequenas estatuetas: Vénus : Simboliza a fecundidade e fertilidade etc)
2-Arte rupestre ou parietal (pinturas e gravuras feitas em rochas quer em grutas quer ao ar livre)(arte mágica: para obter caça)
Principais temas:
Principais temas:
Animais de caça; bisontes, cavalos, touros; mãos humanas; e algumas figuras e sinais abstractos.
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